A Falsa Baiana

postado por: Bela Figueiredo 10:57

Quarta-feira, Abril 28

Vadiagem = Saúde
O meu terapeuta sempre diz que as pessoas não ficam doentes porque trabalham demais, mas que por serem doentes trabalham demais. Eu assino embaixo e o Millôr a seu modo também.

"Quem se mata de trabalhar merece mesmo morrer."
[Millôr Fernandes] Comments:

postado por: Bela Figueiredo 18:11

Terça-feira, Abril 27

Somos todos um pouco miseráveis
Nos falta recursos para amar, nos falta amor.
Nossa pobreza é extrema no quesito compaixão. Muitas vezes, somos indignos e temos vergonha da nossa mesquinhez. Essa imperfeição de nós todos é do provir humano e ninguém mais consciente do que Cazuza em seu Blues da Piedade.
Não quero ser vil. Sou vil. E chega de chorar minhas misérias, aliás, as nossas.

"Agora eu vou cantar pros miseráveis
que vagam pelo mundo derrotados
Dessas sementes mal plantadas
que já nascem com caras de abortadas
E pra pessoas de alma bem pequena
remoendo pequenos problemas
querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz mas não ilumina suas mini-certezas
Vive contando dinheiro e não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando alguém que caiba no seu sonho
como varizes que vão aumentando
como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade, Senhor, piedade
pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade, Senhor, piedade
lhes dê grandeza e um pouco de coragem.
Quero cantar só para as pessoas fracas
que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar os blues com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade pois há um incêndio sob a´chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade"
[de Cazuza] Comments:

postado por: Bela Figueiredo 18:05

Sexta-feira, Abril 23

Babilônia
распространьте влюбленность
separe el amor
sparga l'amore
διαδώστε την αγάπη
verbreiten Sie die Liebe
écartez l'amour
spread the love
espalhe o amor Comments:

postado por: Bela Figueiredo 17:27

Drops
O sarau foi luxo só: caçada e Shakespeare. E nem fiquei com a cara do gatinho aí em baixo porque tava um friozinho delícia e depois da esticadinha na República, melhor mesmo foi ir pra minha cama.

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Tu quer coisa mais desagradável do que fazer as unhas e o esmalte embolotar todo?

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Ontem trabalhei na Região Partenon, aqui de Porto Alegre. Às vezes, o Haiti é mesmo aqui, ali na Vila Maria da Conceição. Mais uma vez, euzinha que acho o Caetano um chato tenho que tirar o chapéu. Suprimi uns pedacinhos para bem da associação do caríssimos.

(...)
"Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos
E outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro possam
estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque, um batuque com a pureza de
meninos uniformizados
De escola secundária em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada
Nem o traço do sobrado, nem a lente do Fantástico
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém
Ninguém é cidadão
(...)
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
(...)
E pobres são como podres
E todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui"
[bons pedaços da letra de Caetano Veloso, com música de Gilberto Gil e do prórpio Caetano/1993] Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:13

Terça-feira, Abril 20

Encontrei essa foto magnífica num site polaco. Pois esta será a minha cara e a bebida predileta após o Sarau Elétrico de hoje à noite, no Ocidente.

Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:17

Em tempo:
Vocês se deram conta que hoje é 20/04/2004? Bonitinho, né? 2004/2004. Garanto que vai rolar uma matéria no Jornal Hoje com algum místico "da hora" explicando as revoluções planetárias e o que significa, em termos práticos, esse dia. Eu mesma faço fé pra que alguém bem necessitado acerte no bicho. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:14

"Em Porto Alegre 15 graus"

Como é bom ouvir a voz do José Aldair (puta-velha na locução jornalística, que iniciou sua carreira em 1962), dizendo que finalmente vivemos a iminência de um inverno. Já não agüentava mais. E em homenagem à temperatura desejada, aguardada e finalmente festejada, publico "Invernia", mais uma estorinha desta que vos fala, escrita há bastante tempo mas sempre atual.

Invernia
O inverno é um inferno! Tempo de frutificar idéias, hiper safras de produção literária, muitos beijos na boca e mãos na nuca, cineminha e pipoca, gozar de mansinho, exaustos, meigos sob o edredon... As lentes dos óculos embaçadas quando da fumegante taça de café com creme na Rua da Praia. Pessoas se aproximando, perto demais a ponto de perdermos o foco e a razão também. Isso com a desculpa de esquentar o corpo, mas acabamos aferventando os miolos. Pras moçoilas sem cobertor de orelha, é tempo de sublimar o amor, sonhando com bastões de leite e capuccino. E pros rapazes, brioches suculentos...

O inverno é um inferno! Queremos o aconchego, dormir de colherinha, parecer dragões botando fogo pelas ventas. Ganhamos as ruas pra retirar dos outros a caloria. Não temos mais discernimento, nem gosto. Apenas pressa! Nenhum motivo pra sair da frente da lareira, meia de lã e pantufa, mas sai... vai ao Garagem Hermética sofrer de rinite, praguejar o mofo, espirrar setenta vezes. Mas é nesse tempo de frio que buscamos incansavelmente a delícia, o par - sim, porque acredito que fomos feitos para viver em duplas. Dar duas, três, espreguiçar, medo de despertar o parceiro que dorme como um anjo e o que for parecido com angústia, mal desponta, é paz, calmaria... mesmo porque sempre tem um par de coxas bambas, uma mão de unha roída, outra comprida - bem feita, estética, pra tocar uma viola. A esquerda denotando ansiedade e busca. A direita, traz à tona o ser sensível que retira acordes doces pra enfeitar a alma do seu objeto de desejo quase frígido, quieto, ainda adormecido.

É no inverno que buscamos, tontos, os inferninhos. Qualquer moquifo onde se possa derrubar umas gotas de vinho tinto na manta xadrez trazida de Buenos Aires. Ou fumar de luvas, impregnar-se de nicotina e mesmo respirando só pela boca, preenchê-la com outra língua amarga e não perder o fôlego, não cansar. E ficar de braço cruzado parecendo que não tá nem aí, que não quer, que pode consigo, só que no fundo, doida pra abrir os braços, sentir o peito arrepiado acoplado àquela caixa forte, rija, quadrada que só os meninos têm. E depois disso, cantarolar qualquer coisa ou ficar quieta com ar lânguido ou estruturar um poema para então dar as costas à multidão e, mão na mão, ganhar a rua, sentir a rajada de vento; ter nariz de palhaço, assado, escorrendo. Aturgyl, a manga do casaco como lenço e receber um beijinho gelado na bochecha e daí a vontade de voar pra dentro dele, de dar graças porque ele existe e tá ali, pegada a pegada, blusão cheio de bolinhas. E quando a gente vê já tá nessa até o pescoço. Não sente frio, não sai de casa. TV, família, não lê os jornais, esquece a camisinha. Então, hora de ficar em casa, a boca rachada, preguiça de fazer xixi, não precisa escovar os dentes só tomar mais um chazinho. Tu vai ficar boa. E quando tem que sair, mesmo porque a vida não é um intensivo sexta-sábado-domingo, tu põe o pé pra fora da cama, congela e acaba percebendo que 12o, bate queixo e tu tá vestindo apenas a cueca dele. Melhor voltar pro abrigo. Aí, põe a cabeça no peito dele, se curva feito concha e dali cinco minutos tudo está bem. Não há mais perigo, nem frio e tu pensa como as pessoas passam a vida inteira na Bahia sem experimentar esse amor de inverno, vivendo torrados, suados, requebrados e todos os 'ados' a que se têm direito, sem mencionar a música ruim. Eles não sabem o que significa ouvir Ella Fitzgerald debaixo das cobertas, ele do lado, ou em cima, ou embaixo, não importa!, quando tudo arde, é chama, calor, útero, saliva, só um pé de meia porque o outro caiu. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 18:04

Segunda-feira, Abril 19

Rrrrrrrr
Tô uma chata, enjoada e existencialista. Afastem-se!


A espantosa realidade das coisas.
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é.
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra.
E quanto isso me basta.
Basta existir para ser completo.

[de Fernando Pessoa]

Ãrrãn. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 11:20

Dor de cabeça. Sono.
Chatice. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:17

Sexta-feira, Abril 16

Copy/Paste
Quando eu assinava "BelaF", ainda tinha frescor e não tava nem aí pro que Os Outros (ah, essa entidade...) pensavam. Eis que nesse tempo escrevi uma estorinha que reli ontem, quase uma da manhã, depois do Mercatto Jazz. Resolvi, então, republicar. Até que é bonitinha.

Nomes aos bois
É tão fácil inventar nomes para pensamentos; ainda mais quando chove. E não acaso, hoje chove e cadencia dentro de mim Murilo - o homem-bossa, que sentado de um só lado do corpo, espalha-se entre a idéia difusa de narizes e anéis -.

O ar distante mais o pouco peso do corpo sobre uma das nádegas apenas é ao que de mais emocionante a lembrança do homem-bossa remete. Gosto dessa espécie de homens, ainda mais quando da sub-categoria Murilo. De lado, que lindo o desenho de uma só parte da face! O nariz adunco, a boca golfando nuvens acinzentadas e os cílios brincando de leque.

Idéias perfilam-se aqui, bem na minha frente, e delírio ou não, o menino de casaco bege e unhas compridas atende por Murilo. E para ele começo a escrever uma estória muda, onde os interlocutores fingem displicência para não sucumbirem à emoção. São monólogos espremidos entre a garganta e a língua, onde o surreal se afirma.
O nome que dei ao homem mais cheio de bossa não é seu de batismo. Que importa? ele é meu amo e senhor por quem sairia dessa vida para passear no céu, quando nada além de pensamentos e desejos e pontos convergentes teriam forma, viço e cor. Anjos só nós dois. E bois. Nomes para eles, então.

Eu e Murilo vivemos algo proibido, por isso, uma série de protocolos molda comportamentos socialmente aceitáveis e que nos livram do juízo final. E se a vida fosse propaganda de margarina, Murilo não seria casado nem tímido nem decente nem coerente. Só que a vida é real é palpável, esculpida a marteladas, impregnada de desencontros e aqui não cabem maiores detalhes.
Todos sabem. Os vivos, ao menos.

Agora, recém chegada do bar, que também não vou descrever porque Deus está nos detalhes e Ele ficaria tenso com as minúcias, estou no quarto tipo "João-Bobo": cama, levanta, come, deita, levanta outra vez, escreve. Não sai. Impossível esquecer Murilo sentado sob um só lado do corpo que não vou despir. Pensei que não tivesse ainda sido proferida a sentença, mas já nos julgamos condenados a não viver e nada poderá nos aproximar.

Murilo acha que não noto seu olho grudado em mim até o último momento antes de bater a porta. Me vejo refletida nas lentes dos óculos dele, que escondem olhinhos infantis. Estou de saída e ele faz que não, mas sim - me fita com desejo. Enxergo, sinto que Murilo vela o bem maior que existe para além da aliança dourada que ostenta na mão esquerda. Ah, as convenções desenharam um precipício entre nós e temos vertigem, os dois. Ansiamos nos atirar, mas há a ética e um resto de agonia na luta, colocando Murilo e eu em extremos opostos.

No momento em que estou de saída para a vida - que ele não conhece por completo -, pede: "Lúcia, me fala mais de ti". Sei que deseja tudo de mim, sugar a essência, lamber a seiva. No tanto que posso, me entrego às palavras dele, aos dedos curtos e à fumaça que forma uma cortina densa entre as almas combativas.

Ele sabe que meu último pensamento tem como nome Murilo justamente para não colocá-lo em maus lençóis. Talvez devesse chamar Murilo de Pensamentos e não o contrário. Seria mais preventivo, ao menos. Não posso, não conseguiria com
ele ter apenas algumas cópulas. Já disse que de Murilo não me apropriaria apenas da carne, dos longos beijos - que nunca tivemos coragem de dar -, da fricção. Nada de dedos em riste, não utilizamos o discurso. Não há espaço para o debate. O que é já existe por si e a covardia nos protege.

Se o colocasse em minha vida, seria para dividir os livros que imagino ler numa poltrona floreada, com seu gato branco e amarelo aninhado no colo. Não agüentaria levantar-me depressa de uma cama qualquer e sabê-lo em casa, pensando em mim e me vendo através de um vidro estilhaçado e emendado com durepox. A realidade é que Murilo vive com a outra a vida que escolheu cedo demais. Uma pena.

Não há espaço para arrependimentos. Esse amor, nutrido através de palavras comedidas, não acontecerá. Tudo por erro do Senhor Tempo, que não nos fez encontrar um ao outro antes dela, da outra. Temos uma cumplicidade de não dizer e dentro de nós tudo sabe, tudo é e vive, rasga e, no fim, estagna.

Tenho consciência da luta que Murilo trava para não sucumbir aos meus olhos pestanudos e arregalados. Queria que ele tivesse surgido na minha vida antes de optar pela outra. Ah, os quereres... tantos, quantos, mas não escolhemos; acontece, ou pelo menos, sangra menos se tentar um pensamento assim. Alivia, não mancha e é menos doloroso culpar os outros, o espaço, os desencontros. Sei que para ele eu sou a mulher, o ventre fértil; e ela, o escape, a forma de viver em paz.

Meu pensamento tem o nome de Murilo. Eles todos, aliás, atendem por esta alcunha e toda vez que tocar uma bossa estarei quieta, com os olhos fixados em alguma aresta e vivendo de pensar em Murilo. Ou, com Murilo, fingindo distrair-me com idéias amenas, onde homens que sentam de lado, com uma graça de comover, não existem - são apenas bois com um anel. No nariz.
[de BelaF até porque eu já não sou mais a mesma] Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:58

Grande idéia
Bem que eu podia arrumar um marido tipo o Javier Barden. Toda a mulher boa [ou boa mulher] merece. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:32

Quarta-feira, Abril 14

Confidência
"(...) não pense que escrevo aqui o meu mais íntimo segredo, pois há segredos que eu não conto nem a mim mesma.
E não é só último segredo que eu não revelo: há muitos segredinhos primários que eu deixo que se mantenham em enigma".
[de Clarice Lispector] Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:56

Melhor "calar" os dedinhos

E precisa dizer mais alguma coisa?


Jacques Henri Lartigue é um gênio com seu "Toby" Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:52

Seguindo no mesmo ritmo

Já que eu tô uma coisa Beatles, pego carona e dou um recadinho aos caríssimos:

Comments:

postado por: Bela Figueiredo 14:28

Terça-feira, Abril 13

Em terra de cego quem tem um olho é rei
A minha massagista tem só 5% de visão. Só enxerga o volume das pessoas e das coisas. Talvez ela seja poupada de muita chatice por isso. Com certeza ela é menos preocupada com pormenores que eu, conseqüentemente, menos fútil e mais útil à sociedade. Eu, por exemplo, na minha sessão de hoje, fiquei bem à vontade pois sabia que ela não via as minhas celulites e gordurinhas e sinaizinhos; enfim, não me via. Grande merda. Ela sabe quem eu sou, me conhece pela voz e sabe da minha anatomia muito além de mim ou de qualquer outro.

Ela está perdendo a visão, progressivamente, desde os 13 anos e aos 40 só enxergará a claridade. Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, os cegos não vivem no breu.

O filho dela não desenvolveu a doença, mas seus netos - muito provavelmente - serão deficientes visuais.

A minha massagista é o que há. Uma mulher de tato, o que nesse mundinho construído sobre a ditatura da imagem, pode parecer uma habilidade menor do que a de enxergar. Ao contrário, é um grande dom: saber lidar sem manipular.

Fiquei perplexa ao saber que ela adora cinema e, mais que isso: assiste filmes. Ela espera sair de cartaz do cinema e chegar na locadora com dublagem. A minha massagista amou o Perfume de Mulher e feito o Al Pacino, já dirigiu em alta velocidade. Ela tirou toda a aura de magia daquela cena quando disse que esse é o desejo mais comum entre os cegos. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 11:50

UMPF
Por que euzinha sou obrigada [obrigada mesmo, pois não é uma questão de escolha] a conviver com gente tão u ó??? Comments:

postado por: Bela Figueiredo 11:36

Didica
O Paralelos fez um especial sobre contos e crônicas publicados em blogs. Tem até uma estorinha de um amigo que não vejo/leio a horas, o Cardoso. As minhas primeiras literatices foram publicadas no e-zine que ele editava, o falecido Cardosonline. Tinha o Não também... "Que tempo bom, que não volta nuna mais". Comments:

postado por: Bela Figueiredo 11:20

Home sick

Nesse feriado de Páscoa eu estava de folga, mas preferi ficar em Porto Alegre pois:
1- Aniversário da minha irmã mais velha
2- Preguiça (leoninos são peritos nisso)
3- Pouca grana
4- Sou uma pessoa que viaja querendo voltar. Existe essa patologia, denominada "home sick". Sei que a tal de Fernanda Young já esteve de malas prontas no aeroporto rumo à Europa e desistiu da viagem; voltou pra casa e ficou bem faceira. Pois eu AMO VIAJAR, sair, conhecer pessoas e lugares, ficar quieta, apreciar, perguntar, sentir novos gostos e cheiros, ouvir a música e agente dos lugares, saber de estórias, enfim, consumir o local e as gentes, mas me dá uma dor antes de ir que quase não vou, aliás, sou pachorrenta por excelência. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:18

Free as a bird
Desde pequena gosto muito dessa música dos Beatles [e naquela época eu curtia só a melodia]. Hoje entendo por quê.

It's the next best thing to be free as a bird.
Home, home and dry.
Like a homing bird I fly, as a bird on wings.
Whatever happened to the life that we once knew
Can we really live without each other
Where did we lose the touch
That seemed to mean so much
It always made me feel so
Free as a bird,
It's the next best thing to be free as a bird.
Home, home and dry
Like a homing bird I fly, as bird on wings
Whatever happened to the life that we once knew
Always made me feel soooo
Free

Free as a bird
It's the next best thing to be
Free as a bird
Free as a bird
Free as a bird
Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:06

Quinta-feira, Abril 8

Já me bastava uma companhia pra tomar um café.



Não, eu tô exigente sim. Pra tomar um café a companhia há de ser TUDO [e eu não vou explicar o que é "tudo" pra mim]. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 17:54

Quarta-feira, Abril 7

Eu fico reverberando por aí, ou melhor, por aqui, as minhas ideiazinhas tortas e, assim, mudo um pouco a minha existência banal. É descarrego. Falta de vergonha na cara, non sense tontal. "Desestresse". Escrever é colocar o lúdico na ponta dos dedos, é escapar da mesmice, dos enjoadinhos e das "enjoadezas". E não tenho vergonha de dizer bobagem, de dizer o que ninguém quer ouvir, de dizer sem querer dizer: A Falsa Baiana é o meu momento, o meu espaço. A possibilidade de lervar lambadas ou lambidas é igualmente bem-vinda.

Fico bege como as pessoas conseguem "se soltar" na web. Calma aí, eu explico. É que uns bofinhos bem queridos escrevem coisinhas elogiosas e a minha juba de leoa se abre feito um rabo de pavão. Aliás, agora me veio aquela musiquinha:

"Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu olhar"


Nem sei de quem é a canção, mas é velha pra burro e bacanérrima.

Falando em animaizinhos, que saudade dos meus lires. Badu, Gordo: a mamãe ama vocês! Ainda choro de saudades de vocês, mas não podia ser diferente. A vida é assim mesmo. Sempre rola uma enrabada, mas enfim, pra tanto bônus tinha que haver um puta ônus.

AMO-VOS. PRA SEMPRE.


Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:05

Atenção, misses de todas as querências!


Foi encontrado o avião de Antoine de Saint Exupery, o autor do livro preferido de 10 entre 10 misses: O Pequeno Príncipe. 60 anos após sua morte, os destroços do avião do escritor e piloto francês foram descobertos no litoral de Marselha. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 14:31

Terça-feira, Abril 6

Líva e Theo - os bam-bam-bans.
Já tô com saudade dessa menina e nos vimos nessa sexta... A bonita foi morar na Guarda do Embaú (morram de inveja). Jogou tudo pro alto, aliás, TODA A CHATICE. Coragem é mesmo pra poucos.

Comments:

postado por: Bela Figueiredo 14:29

Grazie per tutti
Faço aqui no meu caderninho de anotações um agradecimento rasgado a minha irmã Ana que tem sido muito mais que uma irmã, mas um puta amigona, terapeuta e mestra.
Sabe a palavra e silêncio certos na hora certa? Pois é isso.
Sempre fomos muito unidas, mas por contingências da vida havíamos nos distanciado. Agora estamos em simbiose outra vez. Tão diferentes e tão próximas. Nunca mais vou deixar que pessoas e/ou circunstâncias me deixem tão mesquinha, idiota, desligada a ponto de me distanciar dos seres que realmente amo.
Ana: TUDO DE MELHOR, queridona! Obrigada mesmo. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:06


Essa revista é o que há. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:04

Acordei menos aleijada do pescoço, mas torpe.
Superego da Bela diz: Cala-te!
Bela, resignada, se cala. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 16:49

Segunda-feira, Abril 5

Adoro o trabalho do Ron Berg. Uma palhinha:



Comments:

postado por: Bela Figueiredo 16:27

Zen
"tudo dito
nada feito
fito e deito"

[de Leminski] Comments:

postado por: Bela Figueiredo 17:12

Sexta-feira, Abril 2

Pros fãs que não páram de mandar e-mails e sinais de fumaça, tem também os que ligam desesperadamente e os que tentam telepatia: essazinha aí embaixo sou eu, por Cristiano Pio de Almeida.

Comments:

postado por: Bela Figueiredo 15:12

Bueno, para que vocês entendam, postei d'uma vez só todos os textos que estavam no atnigo endereço. Pardon, caríssimos, mas os comments foram pro espaço. Well, de casa nova, em bom português, digo-lhes: sejam bem-vindos ao meu idílio. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 14:39

Ela é a tal
Um punhado de "atores" globais [uh, que meda!] a elegeram como mestra. Ela atrai hordas de admiradores com cursos particulares de filosofia. Filósofa, poetisa, psicanalista, atriz e tudo-de-bom, Viviane Mosé escreveu essa linda poesia:

"Mergulhar a palavra suja em água sanitária, depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol adquirem consistência de certeza.
Por exemplo, a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas, que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda aguar e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tiram sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida que são alvejadas soltam um liquido corrosivo, que atende pelo nome de argura, que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é manter sempre de molho em um amaciante de boa qualidade.
Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente sabão em pó e maquina de lavar.
O perigo nesse caso é misturar palavras que mancham no contato umas com as outras. Culpa por exemplo, culpa mancha tudo o que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo sendo uma palavra intensa, quase agressiva pode, o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras sob o risco de perder o sentido.
A sujeirinha cotidiana quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar as palavras é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que misture com seus gestos, que passeie pela expressão dos seus sentidos.
À noite, permita que se deite, não ao seu lado, mas sobre o seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, a palavra plantada em sua carne, prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar uma convivência até não mais perceber a presença dela, então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível".
[de Viviane Mosé] ¶ 1.4.04

Quero adolescer novamente
Um dos livros que marcou a minha adolescência foi "O Encontro Marcado", de Fernando Sabino. Esse mineiro me levou pra passear pelas ruas de Belo Horizonte de mãos dadas com Eduardo Marciano, protagonista da obra e seu alter ego .

As lembranças desses tempos me levam à conclusão de que "eu era feliz e não sabia" e que aos 13 anos tudo é simples demais, sem nóia nem estresse nem cansaço, principalmente. Um bom livro me fazia sonhar, levava a passear por Minas Gerais e namorar Eduardo Marciano. E, a cada página, eu jurava escrever uma carta a Fernando Sabino, agradecendo pela estória, que era linda e mágica! E só de pensar em mandar cartas a poetas e escritores, já tinha um milhão de borboletas voando no estômago. Quem me conhece sabe que sou aleijada do pulmão esquerdo, pois meu coração tomou conta. Bom, não é privilégio do Sabino essa coisa de carta... Até hoje, quero escrever - e às vezes escrevo - aos autores dos livros que amo, como fiz com Lya Luft.

É... a gente que complica... ¶ 1.4.04


"Você sabe o que é ter um amor, meu senhor, e por ele quase morrer?"
Eu tenho um MONTE assim ó de amor, mas não sei por quem morrer de. Será um dia saberei? Será que ele - o meu amor - está tão próximo de mim que a visão se embaralha e não o vejo?

Superego responde para Bela: "Ah, menina tonta, você não sabe nada mesmo, quanto mais o que é um amor. Cale seus dedinhos afoitos, menina, e vá brincar sozinha um pouco. Essa coisa de dupla fica bem o tempo todo só pra baião-de-dois, irmãos gêmeos, docinho bem-casado e siameses". ¶ 1.4.04


Como é simples ser feliz
E eu, ingrata, ia esquecendo de falar do domingo mágico que passei com a família do meu amigo Gus. Estava lá o próprio, tocando uma bossa nova delícia; a mãe dele servindo acepipes; uma bebezinha fofa encantadno a todos; o irmão do Gus na pilota da churrasqueira; a minha irmã Ana Clara e par romântico do irmão dele, fazendo as vezes de fotógrafa; o pai do Gus com um riso largo na cara mais Os Japas, vizinhos do Gus. Eis que um deles, o Adriano, é mágico e fez números com moedas, cartas e bolinhas. Simplesmente de-li-ci-o-so!

E nesse ritmo de magia... cliquem aqui! pois recordar é viver duas vezes. ¶ 30.3.04

Bela Diniz em...
... como uma obrigação pode se revelar uma grande descoberta

Pois hoje almocei no Plaza São Rapahel, na mesma mesa da fina-brandão Célia Ribeiro [a trabalho, obvious], só que o mais bacana do tal almoço foi a palestra da Dulce Magalhães. Sabe quando uma criatura fala algo que te toca tão profundamente que a sensação é de "abrir os pulmões"? Pois é isso: respirar aliviada.

E tem outra: além das ótimas idéias e propostas e sacudidas, a Dulce citou diversos poetas e euzinha adoro gente que fala de/em poesia a qualquer momento, sem se preocupar em "ser profissional", manja? Adoro gente prafrentex. E ela é. Adoro gente que questiona e, mais que isso, faz com que a gente se questione. E ela faz. Bueno, citando Goethe, ela me remeteu a Rimbaud, que disse repetidas vezes a frase ¿por delicadeza, perdi minha vida¿... Eu não serei delicada nunca mais. Sou isso. E ponto. E velha e chata e feia e prostrada e irritada e grosseira e enjoadinha e repulsiva e mimada e entediada e careta e um sem fim de cousas, mas tenho a minha excelência [de que a Dulce falava]. Isso é o que vale. ¶ 30.3.04


Parabéns a você...
... nesta data querida
muitas felicidades
muitos anos de vida"


Hoje é neversário de Porto Alegre, gentens! Comemorem. Amanhã tem Baile da Cidade, com jazzeira e tudo, na Redenção.
¶ 26.3.04

Ó dúvida cruel
Fulô, minha filha, vai mudar de nome, acho. É que eu e minha irmã Ana só a chamamos de Pantufa porque ela realmente parece uma pantufinha... E tem outra: a fina já tem até apelido de um nome que [ainda] não é seu... Nos referimos à bonitinha como Pants [o mesmo que calça em inglês]. Será que a bichinha terá crise de identidade?? ¶ 26.3.04

Seguindo no mesmo ritmo
Já que falei da cara de tartaruga do José Saramago, sigo aqui passeando pelos temas do Reino Animal. Aliás, não falo exatamente dos animais de verdade, mas dos seres humanos que se portam feito bichos peçonhentos, com suas líguas bifurcadas.
Bueno, a máxima é: "fofoca é uma foca muito fofa". Punto e basta. O resto é maldade, falácia, "judiaria" (termo esse politicamente incorreto). Então, reflita um zilhão de vezes antes de abrir sua meiga boquinha pra falar coisas feias e bobas e cara de cocô, tá bem? Isso é muito feio. Agora, um comentariozinho básico não passa de uma "foca muito fofa", right?

Um homem sábio é Amyr Klink que conviveu com as focas em sua expedição à Antártica. Isso que é auto-controle, não? Meses e meses solito num barco. Cruzes! Não tenho condições pra isso, além do que barcos me enjoam.

Já li um livro dele bem bacana... Acho que o nome é Entre dois pólos.

Prolixa, eu?? "Magina"... ¶ 25.3.04

Ficha um
Segunda que vem, dia 29, espero a livraria mais próxima abrir pra ler o "Ensaio sobre a Lucidez", de José Saramago [além de ser um dos meus escritores prediletos, ele tem uma cara de tartaruga irresistível]. Em sua nova obra, o português critica a comunicação social pela sua submissão ao governo e fala da "capacidade camaleônica de alguns jornalistas". É ferro na boneca. ¶ 25.3.04

Vãos na alma todo mundo tem
"E falta sempre uma coisa,
um copo, uma brisa, uma frase,
E a vida dói quanto mais se goza
e quanto mais se inventa."

[de Fernando Pessoa] ¶ 24.3.04

Isso diz muito de mim
"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

"Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente. (...)"

[Traduzir-se, de Ferreira Gullar] ¶ 24.3.04

"Remela...
... é uma coisa mais presente quando a gente é criança, né?", comentou a Ana, minha irmã. É verdade... Quantas lembranças do inverno... Eu pequeninha, acordando... indo pro colégio com o olho grudando... ¶ 24.3.04

Yoga Home>
Fulô, minha filha, faz posições de yoga ao acordar, depois de comer, enfim, a todo momento. Coisa mais bonitinha as patinhas esticadas à frente do corpo e os quadris erguidos. Chora de lindo! ¶ 24.3.04

Alguém tem que ceder
Filmezinho light pra mulher recém-separada que foi ao shopping fazer as unhas e resolveu dar um esticadinha [eu, no caso]. A Diane Keaton tá perfeita e o Jack Nicholson com aquele charme de dono de mercearia. Aquela cena no restaurante em Paris é de deixar nervoso dos nervos até um monge budista. Só o final que ficou "uma nostalgia pra frente", que eu não gostei e não vou explicar. Tem que ver. ¶ 24.3.04

Bela, who?
Bela Figueiredo, jornalista e projeto de escritora.
Brasileira, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Mora em Porto Alegre
Não é casada [estão abertas as inscrições] e tem uma filha: a Fulô (ver blog Comadre Fulozinha)
27 anos [nascida em 14 de Agosto - Leonina]
Gosta de: cachorros e gatos, literatura, cinema, música, plantas e flores, lojas (adora lojinhas!!) e, sobretudo, gosta de pessoas.
Ama: falar, escrever e dançar. ¶ 23.3.04


Solidariedade
Quem quiser doar roupas, sapatos, alimentos, colchões, móveis, material de limpeza, de higiene pessoal e brinquedos para ajudar os papeleiros que perderam tudo com o incêndio na madrugada de sexta-feira, 19, podem fazer suas doações em dois endereços. Vai lá: Avenida Bento Gonçalves, 255 e Rua Gaspar Martins, 216. Maiores informações pelo 156. ¶ 23.3.04

My tenderness
Já que sonhei contigo, vai uma estorinha que era só nossa...

Matizes
Verdes só os dele. Muito verdes, diga-se, para o meu gosto. Mas os dele podem variar do mais claro, quase transparente, ao garrafa - não me importo. E coincidência ou não, o dono dos olhos mais bonitos que os meus já bateram chama-se Mito. Meu primeiro amigo, a primeira paixão, a primeira vez que vi um homem como um homem é. Tínhamos uns nove anos, acho. Mito usava um short de moletom cinza, desses folgados, e a gente estava jogando tênis. A bolinha caiu no chão, ele se agachou para juntar e eu vi... Até que achei bonito.

Agora ele está de volta e trouxe consigo o pedaço mais doce da minha vida. A porção mais bem servida e a verdade que não precisa ser dita. Mito é a iminência de prazer, olho grudado no teto e música no repeat a tarde inteira. Crescemos juntos com um amor velado por nós e vetado pelos mais velhos. Pobres criaturas... eu e meu amigo, meu mais que amor, sempre nos consumimos e os outros nem sabiam...

Mito já não usa shorts, mas uma calça arragada ao corpo. O volume aumentou, eu vi. No braço esquerdo a quelóide cresceu e está mais cor de rosa do que nunca. Foi aquele cachorrão da casa da esquina que mordeu o braço dele, quando a bola tropeçou no muro, caindo na casa do vizinho. Hoje ele está mais forte e maduro e lindo do que nunca! Usa dois anéis de prata feito os meus - uma aliança sem combinar, aliás, tudo conosco sempre foi muito sem querer.

Nesse domingo pardo, estamos sentados de lado para o rio, sem dizer coisa alguma. O mesmo rio marrom que sonhamos atravessar com uma jangada que nunca foi construída. Bem que juntamos meia dúzia de paus - era mais legal ficar no quarto do Mito descobrindo...

Parecemos personagens e não somos. Isso é vida real. Fricção é o oposto de ficção. Feito antigamente, um com as costas nas do outro, passamos a tarde juntos. Eu nem havia notado que o rio está aqui, com um sol gorducho e muito vermelho adiante nos espiando... Não necessitamos atravessar, agora. Podemos ficar os dois do lado de cá.

Já não sou uma menina e ele sabe, me disse, bonita, Clarice, como tu está bonita. E sequer me olhou ao falar. Depois disso, atirou a cabeça para trás, alcançando meu ombro. Escorregou o cabelo ralo com cheiro de gengibre pelos meus. Nos entranhamos outra vez. Tudo conosco é duplo, reprise. Aí, bateu... me impregnou de verde. O queixo dele encostou na minha bochecha. Baixei os olhos, que acabaram encontrando os dele. A certeza: não preciso de mais nada nesta vida do que esses olhos de um verde que rasga, arrebenta. Sem contar a mão do Mito brincando com meu queixo. ¶ 22.3.04

Comadre Fulozinha
Agora não sou mais uma mulher sozinha na vida. Tenho quem cuidar. Chama-se Fulô a gata persa azul que vive comiga desde sábado à tarde. "O nosso lado animal de vez em quando precisa tomar sol". ¶ 22.3.04

Saudade
Nem sei de quê. Nem de quem. Acho que é vazio. É... é vazio. Trocar o título do post por "Vazio". Isso definitivamente não é saudade (palavra que só existe - com esse sentido nostálgico/afetivo em Português). ¶ 19.3.04

Snoopy que troca a roupinha
Quando eu tinha nove anos pedi de aniversário um boneco Snoopy que trocava a roupinha. A minha melhor amiga da época (como melhor amiga é sazonal, né?) tinha um, aliás, ela tinha tudo de bacana que uma guria de nove anos podia ter. Bom, aí no dia do meu aniversário, meu pai e minha mãe se apresentaram com um boneco Peposo (lembram? um ursinho com cara de abobado nada a ver com uma guria de nove anos que quer muito um Snoopy que troca a roupinha). Foi a MAIOR decepção da minha vida. Depois disso - vocês sabem, miséria pouca é bobagem - no Dia das Crainças e no Natal eles completaram a família com a Peposa e os Peposinhos Filhos. E nenhum deles trocava de roupinha. ¶ 19.3.04


Snoooooooooooooooopy!
Quem sabe, sabe. As minhas irmãs, por exemplo, sabem que eu grito Snoooooooooopy de um jeito desafinado e que quando eu grito Snoooooooooopy de um jeito desafinado é porque ou estou feliz ou bege ou perguntando ou respondendo ou isso ou aquilo. Enfim, Snoooooooooopy é uma super palavra. É a minha palavra. Eu amo gritar Snoooooooooopy, aliás, AMO O SNOOPY, tenho camisola e calcinha do Snoopy. Pronto. Falei. ¶ 19.3.04

Obrigadinha, queridos
Pelo carinho, ombro, ouvidos e até mesmo pelo silêncio. Mana/Julia, Tutu e Dé, vocês são lindos, agora horrorosas foram as mensagens que recebi no celular, mas enfim, c'est la vie. ¶ 19.3.04

Viva a impermanência!
Ontem, quem me viu, viu também o retrato do arraso sobre pernas; só que agorinha recebi uma resposta da mensagem que enviei pra minha "ídala" Lya Luft. É o nirvana. ¶ 19.3.04

Perde o gato
Antes, eu tinha dois gatos, dois cachorros e um marido. Agora eu tenho um sofá e o dia todo pra espreguiçar. Estou em todos os lugares, inclusive, de volta às letras, que tanto amo.
"Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual." [de Carlos Drummond de Andrade]
¶ 18.3.04

Formigueiro
Não gosto de jeito que a rua fica quando vai chover... Todos correm, se agitam. Parece um formigueiro. Mas eu amo a chuva, os trovões, os relâmpagos... Eu só melhoro quando chove, que nem a Adélia Prado.
"Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora. Quando se pôde abrir as janelas, as poças tremiam com os últimos pingos. Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema, decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos. Fui buscar os chuchus e estou voltando agora, trinta anos depois. Não encontrei minha mãe. A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha, com sombrinha infantil e coxas à mostra. Meus filhos me repudiaram envergonhados, meu marido ficou triste até a morte, eu fiquei doida no encalço. Só melhoro quando chove."[de Adélia Prado] ¶ 18.3.04

"Não me queiram casado, fútil e tributável"
Essa é a minha "parafraseada" máxima desde os 17 anos. Eu explico: não que ache o casamento uma bosta (vivi casada por três anos). Falo aqui no "sentido bíblico" da coisa - da mesmice, do estar por estar, das convenções, enfim, do tédio e da solidão a dois. Quesito futilidade: estar assim, bobinha na vida, sabe? À-toa mesmo, ligada apenas no superficial. Bueno, e quanto aos tributos, aquele esquema de erguer castelos sem vista pro mar. Castelos de títulos e apólices e papéis. Apenas trabalhar, trabalhar, trabalhar e muito pouco desfrutar, capire? ¶ 18.3.04

"Com tantos sentimentos deve ter algum que sirva"
O útero se dilacerando.
O ciso rasgando.
O tédio à espreita.
Melhor dormir, mas não dá. Tem que trabalhar. ¶ 18.3.04

"Todo o gênio é distraído"
Me internem, pelamordedeus!! Fui ao banheiro, agorinha, e dei aquela olhada básica no espelho. Qual não foi a minha surpresa quando meu dei conta de que estava com a blusa do lado avesso? Isso depois de receber a bam-bam-bam da Unesco. Em tempo: Mas nem todo distraído é gênio. ¶ 17.3.04

"Até pra boêmia é preciso disciplina""
Sair me cansa. Publicar no blog cansa (bom exemplo disso é a data do último post). Pois bem, sou preguiçosa mesmo; tipicamente leonina. Sou um bicho grande. Nada como uma libélula levinha, flanando por aí... Mas eu não: sou uma anciã. Alguém me disse que eu já nasci com 60 anos e isso procede. Didaticamente:
Por que sair me cansa?
Porque primeiro é preciso ter motivação para tal e isso significa levantar do sofá de oncinha da casa da minha irmã, pentear a juba, fazer um make up básico e colocar qualquer trajinho que me deixe blasé [odeio parecer arrumada]. Parêntese: Aliás, aqui temos um bom tema pra explorar num outro momento: nunca digam que mudei o cabelo. Depois explico. Fecha parêntese. Bueno, ainda no quesito motivação, depois de toda a montaria é necessário caminhar [até o carro ou táxi ou apenas caminhar mesmo até o boteco mais próximo]. Isso demanda energia. Terceiramente, chega-se ao estabelecimento comercial [livraria, bar, bistrô, lojinha - amo lojinhas! - cinema, parque, enfim], aí precisa-se de motivação em doses cavalares pra agüentar as gentes e a si prórpio. Ai, chega! Tô [aliás, sou] uma chata, mas uma coisa é eu ser; outra é dividir. ¶ 17.3.04

Uma canção
Não que eu goste do Caetano, aliás, até não gosto a maioria das vezes em que, ao invés de cantar inventa de falar. Acho que navegar é preciso mas penso que viver é muito mais, mas a canção acordou comiga... Enfim, viva a diferença!!
"O barco, meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração, o porto, não
Navegar é preciso, viver não é preciso
O barco, noite no céu tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco, da madrugada
O porto, nada
Navegar é preciso, viver não é preciso
O barco, o automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto silêncio
Navegar é preciso, viver não é preciso"
¶ 19.2.04

"O barquinho a deslizar num pedacinho azul do mar"
Aqui inicio uma nova jornada, na vida e nas letras, não coincidentemente. Coloco o meu barquinho a flutuar nesse mar de(s)informação. Justo agora "o barquinho vai/ a tardinha cai". 'Tamos aí', a coisa é mais ou menos assim e fazia bastante tempo que eu não me ouvia nem me via. Esta é a hora: arregaçar as mangas e remar pr'algum lugar - não me interessa qual - até porque já fui uma "jangada de pedra", fincada na existência. Nesse momento, me divirto feito criança boiando no mar. Inspirar... respirar... Encher a barriga de ar. Cheirar uma flor, assoprar uma vela. Bem devagar... Como é bom fazer cócegas em si mesmo. ¶ 18.2.04 Comments:
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