A Falsa Baiana

postado por: Bela Figueiredo 12:05

Quarta-feira, Julho 28

Letargia

Tô cheia de coisas pra contar, idéias, planos, uma estorinha pronta na cabeça, só que acordei às 5h da madrugada pra trabalhar com os caingangues e os guaranis na Lomba do Pinheiro, aqui em Porto Alegre. Foi bacana, adianto, mas não tenho a mínima condição de descrever agora a experiência nem falar sobre as lâmpadas que se acenderam sobre a minha cabeça. Sono, muito sono... Depois, tá? Vocês sabem esperar bonitinhos, né? Comments:

postado por: Bela Figueiredo 13:52

Segunda-feira, Julho 26

Estória do dia
Não é por falta de capricho que Gustavo Machado tem se atrasado por aqui, mas por conta do seu trabalho de Hércules no jornal onde ganha o pão.

Ei-lo!

A coragem dos domingos
Passava das três da tarde quando deixaram o restaurante do Hotel Sheraton. O frio azulado do domingo sem nuvens cortou seus rostos. "Caminha comigo?", ela perguntou, erguendo a gola do casaco de lã cor de cereja, uma réstia de sol de inverno lhe obrigando a cerrar o olho esquerdo e torcer o nariz numa careta infantil. Samir disse que sim, abotoando o sobretudo escuro, os olhos-miniatura sorrindo. Mal acreditava ter conseguido o telefone da moça. Acendeu um charuto enquanto ela torcia o quadril jogando o peso do corpo sobre uma das pernas, quase encostada na cortina de ferro da vitrine de uma loja fechada. Andaram em silêncio até que as vitrines minguaram às proximidades da Praça da Hidráulica, onde tudo se aquietava. Fizeram o caminho de volta. Uma tristeza dominical se insinuava, discreta mas crescente e implacável. Tinham a consciência tácita de que o mesmo acontecia com os dois. Sophia enfrentava os domingos bebendo a cair com as amigas ou fazendo ginástica até desmaiar na academia. Samir nunca soube reagir a esse mal que imaginava exclusividade brasileira. Quando menino, os domingos libaneses eram dias de pouca comida como os outros. Sentado ao chão de cimento bruto da cozinha, reunia seu rebanho de ovelhas dentro da cerca de carretéis de linha. Sentia-se o projeto inatacável de um homem rico ao confinar as numerosas ovelhinhas - na verdade, pedaços de caixas de maçã moldados a canivete - enquanto sua mãe cerzia meias e chorava o desaparecimento do pai levado de casa pela polícia política depois de chamar alguém de fanático na feira. Domingos no Líbano não eram especialmente tristes, ele pensava, já quase tele-transportado ao país natal, quando uma mão pequena e fria tomou a sua, interrompendo-lhe os passos de sonâmbulo. "Agora eu pago", Sophia falou, conduzindo-lhe ao interior de um café onde reinavam os excessos de gente, perfume, jóias e maus flertes. Sentaram-se. Samir pediu dois expressos. Sophia foi ao banheiro. Ele a observou esgueirando-se com desenvoltura de bailarina de caixinha de música entre as mesas e, depois, caminhando decidida no corredor livre. Mulher nenhuma andava assim, pisando como se o chão fosse de vidro. Mulher nenhuma fechava os olhos ao mastigar os jantares de Samir. Mulher nenhuma enfrentava a tristeza de domingo e a falta de nexo da vida com tamanha graça e coragem. Antes de sentar-se de volta, ela beijou-lhe a ponta do nariz enorme e era tarde, muito tarde. O coração simples de Samir ardia. Seu coração simples fora recheado de coragem, beleza e lava. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 16:51

Sexta-feira, Julho 23

Permissão de Uso de Imagem
Essa foto sim a Pantufa deixou que eu publicasse.


Escândalo, non? Comments:

postado por: Bela Figueiredo 11:01

Quinta-feira, Julho 22

Fora de foco
Comprei um presentinho pra mim: um celular com câmera digital, que como vocês poderão ver abaixo, ainda não sei mexer direito. Só que não consegui esperar melhores resultados e, ansiosa que sou, já vou publicar os primeiros portraits. Eis:


Esse é o Mousse.


E aqui está a proprietária do apartamento em que vivo, a senhorita Pantufa. Ela me proibiu de publicar esta foto pois não estava no seu melhor ângulo, mas não resisti. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 11:42

Terça-feira, Julho 20

A estória de ontem que só chegou hoje
Ávidos leitores, está aí, com algum atraso, a segunda etapa da segunda saga publicada na Falsa Baiana, por Gustavo Machado.

Sophia precisa de um banho quente
Sophia fez Norah Jones cantar presa dentro do aparelho da sala. Volume quase no máximo pois a moça cantava baixinho e ela queria ouvi-la do banheiro, para onde foi indo, roupas e brincos caindo pelo caminho. Enquanto a banheira enchia, removeu o resto de maquiagem com algodão embebido em emulsão especial. Mergulhou sem molhar os cabelos. Em extremidades do círculo de vapor e espuma, somente cabeça e dedos dos pés para fora. Todo o resto de Sophia permanecia submerso em água quente e lembranças de uma noite estranha. "Belo começo de domingo", ela pensou. Homem, esquisito aquele turco. Sírio? Árabe? Nunca compreendera essas diferenças que viram tema de anedotas. Nem tinha vontade. Tampouco precisava. Fora contemplada pela natureza com curvas claras, pernas bem desenhadas, voz macia, caminhar bonito. "E meus pés são lindos. Eu beijaria meus pés", ela disse aos seus pés, olhando para as pontinhas dos dedos que lhe agradeciam, embevecidos, do outro lado da banheira. Não gostava muito dos seus cabelos, daí usá-los curtos e matizados em distintos tons de amarelo. "Dos peitos eu gosto", falou, baixo, segurando os seios rijos que eram facilmente cobertos ao toque de homens com mãos pequenas. Observou os mamilos intumescidos e lembrou dos peitos desaparecendo dentro das mãos enormes do turco. Fechou os olhos e o aroma dos sais de banho foi subjugado pelo perfume amadeirado do homem. Sentiu sob a língua o sabor acre das ervas do assado fumegante e logo toda sua pele criava vontade própria e ficava em brasa ao recordar-se colada àquele homem grande, gordo e escuro, com pelos longos e macios pelo corpo inteiro, nariz imenso, olhinhos miúdos e sorriso de criança que não tem certeza de estar triste ou feliz. "Está tudo errado", ela quase gritou. Precisava trocar de agência. Precisava não enxergar nunca mais o turco. Continuava pensando na troca de agência enquanto se enxugava, ao lado da banheira, quando o telefone tocou. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 15:20

Segunda-feira, Julho 19

Nota de esclarecimento
Nem eu caduquei de vez nem o Gustavo Machado é um irresponsável.
Segunda-feira é dia de estorinha dele aqui na Falsa Baiana, mas o amigo está off line. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 17:02

Sexta-feira, Julho 16

Bom fim de semana!
Audrey Hepburn [confesso: eu queria ser ela], Elisabeth Taylor [lux!], bares, cachorros, pés, pernas, enroscos, amores, delícias, café da manhã, guerra de travesseiros e Beatles.
E lembre-se: "os diamantes não são para comer".

Comments:

postado por: Bela Figueiredo 15:09

Quinta-feira, Julho 15

Acho que tô no caminho certo
"Escrever todo mundo escreve. Difícil é tomar notas. Pra isso tem que ter talento. Livro é coisa de pobre; de gente que lê Veja, que escreve para publicação brasileira; que foi, é ou vai ser contratada pela Globo". [ninguém mais, ninguém menos que Ivan Lessa]. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:36

Nostalgia
Entrei na comunidade de ex-alunos do Colégio Mãe de Deus, no Orkut. Passei boa parte da minha vida naqueles corredores germanicamente encerados adornados por plantas viçosas. Aí me lembrei da Irmã Armanda, que tricotava na porta da Enfermaria; da Irmã Nídia [modernésima para a época], que dava aulas ótimas de Ciências; do Tio José - motorista da minha Kombi que me levava no colo, dormindo, até a minha cama. Lembrei também do melhor cachorro-quente do mundo, o do Tio Antena; das balas Banda; da minha amigaça Larissa; do Geiger [minha primeira paixão], que ficava jogando vôlei no recreio e mexendo com os meus hormônios-bebê; dos meus amigos Zé Verdi [que hoje é empresário], do Negão, do Rogério [que é veterinário, acho]... Lembrei de pular elástico; dos trabalhos em grupo que eu detestava; da Gang da 59; do pai e da mãe chegando atrasados em todas as minhas apresentações; da minha colega Jana que me segurava no colo pra eu fazer cesta no jogo de basquete... Lembrei das bolsas da Arachane [isso é coisa da gurizada da Zona Sul]; dos abrigos do IPA bem justos e enfiados na bunda, dos lencinhos indianos amarrados no pulso... Enfim, tantas lembranças e, entre elas, a Arca de Noé, mais precisamente, a música "O Ar", de Vinícius de Moraes [acho que as crianças de hoje nem sabem o que é Arca de Noé... uma pena].

"Estou vivo, mas não tenho corpo
Por isso é que eu não tenho forma
Peso eu também não tenho
Não tenho cor

Quando sou fraco
Me chamo brisa
E se assovio
Isso é comum

Quando sou forte
Me chamo vento
Quando sou cheiro
Me chamo pum!"
Comments:

postado por: Bela Figueiredo 17:56

Terça-feira, Julho 13

Randômico
É possível ser Liv Tyler. Nem que seja com Photoshop.

A gente é capaz de voar. Basta fechar os olhos.

Sempre podemos respirar ar puro. Árvores - salvo os casos de medidas compensatórias ou de insanos com serras elétricas nas mãos - não mudam de lugar.

Nossa casa não é apenas um dormitório [leia-se: devemos trabalhar muito menos].

Agradecer, pedir licença e falar baixo não são artigos de luxo, mas de primeira necessidade.

Ninguém pode morrer sem pegar um ônibus errado - nem que seja de propósito.

Deixe sua criança brincar [ainda existem vaga-lumes por aí].

Tédio? Abrir um livro pode mudar absolutamente tudo.

Arrumar armários pode ser uma grande descoberta.

Deixar o sol bater no rosto fermenta a alma.

Um texto inacabado pode ser a obra da sua vida [o diabo tanto quis consertar o nariz do filho que acabou o entortando]. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 15:48

"Tem dias que a gente se sente
um pouco talvez menos gente
Um dia daqueles sem graça
de chuva cair na vidraça"
[Raulzito]
Comments:

postado por: Bela Figueiredo 11:03

Segunda-feira, Julho 12

A Internet é u ó
Escrevi um texto sobre a tal de Chick Lit - gênero que desprezo - e perdi tu-di-nho. Coisas da web. Como diz João Ubaldo, "rede boa é baiana".

Agora, perdi a vontade de falar sobre o tema. Retomo outro dia.

Gosto mesmo é das estórias do meu amigo Gustavo Machado, que inicia hoje uma nova série, produzida com exclusividade para A Falsa Baiana. Deliciem-se. O que eu ia dizer antes era coisa de mulherzinha mesmo.

O coração simples de Samir
"Somados, estes prédios que nos cercam têm uns 300 anos de idade, incluindo o nosso", disse Samir a seu gato persa obeso que abriu um olho em consideração ao amigo e logo voltou a sonhar com alvos filés de linguado e suculentas postas de anchova. Samir escancarou a janela da sala. O vento noturno, limpo e gelado de julho fez dançarem as cortinas pesadas enquanto ele cravava os dedos dos pés descalços nos tapetes orientais e mantinha cerrados os olhos libaneses miúdos para que o nariz gigante melhor consumisse o ar noturno levemente amadeirado pela fumaça discreta da lenha jovem ardendo nos antigos sistemas de caldeiras que proviam de conforto escaldante os banhos de Samir e seus vizinhos de porta e vizinhos de outros andares e vizinhos dos edifícios vizinhos que o cercavam, prédios tão velhos que, juntos, somavam uns 300 anos. Samir reincidia nesse raciocínio secular quando o interfone tocou. "Deve ser nossa convidada", disse ao gato, que não gostava de visitas e, mal-humorado, desceu da poltrona alaranjada em busca de sossego nas peças íntimas do grande apartamento. Samir autorizou ao porteiro de voz rouca e grave pelo excesso de fumo que a moça subisse os 16 andares. Correu à cozinha. Abriu o forno e cobriu de ervas frescas, amêndoas salgadas picadas e azeite de oliva as costeletas de carneiro quase prontas. Aplicou os últimos retoques à mesa posta para dois (refletiu um pouco e achou melhor trocar o arranjo de flores do campo desidratadas pelas orquídeas que estavam no seu banheiro). Fechou a janela e acionou a calefação. Suas noites de sábado eram assim , de uma felicidade simples. A agência de acompanhantes mandava a seu apartamento uma moça que ele escolhia pela internet. No domingo, pela manhã, ela partia depois do café levando flores ou algum outro mimo que ele invariavelmente oferecia às convidadas. Com isso evitava os problemas conjugais e as despesas com advogados e psiquiatras de que eram vitimados seus sócios na corretora da seguros. "Haverá melhor maneira de gastar uma parte ínfima do meu dinheiro?", ele sempre perguntava a si mesmo. Ouviu passos no corredor. A moça bateu à porta com os nós dos dedos indicador e médio. Ele desconfiou ao sentir-lhe o cheiro, abrindo a primeira fresta. Ao vê-la, Samir teve certeza, por algum estranho motivo, que suas noites de sábado jamais seriam as mesmas. O mais sensato seria obedecer ao instinto, dar-lhe um cheque e mandá-la embora. Mas Samir jamais foi um homem sensato. Era um homem de coração simples. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:38

Sexta-feira, Julho 9

"Eu não sou Eu. Eu sou o Outro"
Têm umas coisas, assim, que eu queria dizer mas não sei dizer. E há outras que quero e sei dizer. Por exemplo: amo gatos e odeio aspargos; tenho dor no ciático e cheiro de Simply; às vezes enforco o banho e sou preguiçosa; acordei com uma música bagaceira na cabeça e tenho uma cruz no peito; sinto nojo d'uma fulana e tem um homem para o qual meus hormônios dizem hello!

Eu não sei dizer que me irrito com gente que me imita. Eu não sei dizer que certos pedidos são castigos. Eu não sei dizer que tu foi trouxa comigo. Eu não sei dizer que finjo ouvir as pessoas quando, na verdade, estou longe. Eu não sei dizer que tô de pijama e que não vou levantar pra abrir a porta. Eu não sei dizer que aquela mão no meu ombro significou muito. Eu não sei dizer quando algo me incomoda. Eu não sei dizer que uma pessoa está com mau hálito.

É isso: sei e não sei me expressar e tudo o que não está aqui, em mim, é o Outro. Tudo que não sou Eu é o Outro. E o Outro pode ser assustador, revelador, irreversível. Ele representa o Novo e o Novo pode ser perigoso. A idéia de se atirar antes de experimentar a água com a pontinha do dedo do pé me encanta. O vôo cego, o tiro no escuro, não pensar, só sentir. Ir sem querer, deixar-se, inflar o peito e aniquilar quaisquer boicotes.

Eu, realmente, não sei. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 17:31

Terça-feira, Julho 6

Já que estou ôca...
...Ele, O, Paulo Francis:

"Gosto que me leiam e que saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade". Comments:

postado por: Bela Figueiredo 16:09

Sentada olhando pela janela


A imagem é de Yvonne, de Estocolmo.
Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:02

Fofuras master
Pantufa fazendo posições de yoga no meio da sala.
Mousse resmungando de sono, com sua cara de macaquinho adormecido.
Reencontrar amigos queridos no Orkut.
Contemplar a TV desligada.
Cozinhar pra mim.
Ler. Ler. Ler.
Dormir sozinha e, mesmo com medo, ter um sono reparador.
Blusãozinho de lã azul que comprei ontem.
Meninos de nariz grande.
Aquele café do Mercado. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:41

Segunda-feira, Julho 5

A última
Com a "A campainha vai tocar às 17h", Gustavo Machado encerra as estórias do Sr. Moskat, de Lola e do rapaz estranho da lojinha. Na segunda que vem teremos novas personagens, enredo, enfim, tudo fresquinho.

Eis:

A campainha vai tocar às 17h
Gás quase acabando e a entrega não chegava. Lola acendeu a luz do forno e observou a chama amarelada, já fraquejando. Um filete de suor lhe escorreu pela nuca. No relógio de pulso, os bracinhos do Pateta marcavam 16h46min. Sua mãe chegaria às 17h. Por que não viera outro dia? Temia pelo bolo e pelo encontro com a mãe que reclamaria do tempo, do trânsito, da grosseria dos homens, da pensão minguada, da greve no metrô, do horário eleitoral, e depois passaria a comentar as unhas de Lola, a magreza da filha, a falta de namorados, o chão mal-encerado. Está abatumado, ela diria, como se mastigasse cacos de vidro. Mas não tem importância. Sem ostentar crítica, até mesmo condescendente, benevolente naquela sua maneira de manter a ponta da língua parcialmente escondida atrás dos incisivos superiores pouco tempo mais que o normal quando pronunciava os sons da família do ¿s¿. No fundo, queria mostrar em sua grandiosidade que Lola não tinha culpa tanto pela magreza quanto pela greve ou pelo horário eleitoral. Agachada frente ao fogão, Lola assistia a essas cenas como se a janelinha do forno fosse uma tela de TV. Mudou de canal. Lá estava o malvado, debochado. O bolo abatumado, sem a menor preocupação, apenas se aquecia ao calor tépido de uma estufa de orquídeas. Nos bracinhos, 16h52min. Onde já se viu, minha filha, esperar que o gás falhe para pedir outro... Com os amigos era a mesma coisa. Se lembrasse de mantê-los num ciclo sempre azeitado e programado e bem-organizado, jamais sentiria solidão. 16h54min. Com os namorados, idem. O peito de Lola doía de ansiedade. Pensou em algo que a salvasse. Sua mãe poderia estar sendo assaltada. Nada grave, sem violência, mas lhe tomariam a bolsa e ela ficaria abaladíssima e sem dinheiro para a condução e cancelaria a visita à filha. O namorado do verão podia estar digitando seu número naquele instante. O rapaz da loja de secos e molhados... tão esquisito. Ah, sim. Isso seria melhor. A melhor cena de todas. Sim, era isso que estava acontecendo... O rapaz passava em frente ao prédio de Lola e encontrou o homem do gás enfiando o dedão no interfone. Deixe que eu entrego, falou ao rapaz. O homem achou uma maravilha, nem se preocupou com o pagamento, livrou-se das escadas e embarcou no caminhão. 16h59min. Quando o rapaz chegasse com o gás, ela estaria pondo na água de um vaso improvisado as flores que ele lhe dera mais cedo e, enquanto ele trocasse o gás com habilidade e rapidez, ela contaria que sua mãe fora assaltada e que eles comeriam bolo e beberiam chá sozinhos, apenas os dois. Ele ficaria feliz por essa solidão compartilhada e lhe tomaria a cintura e lhe beijaria as pálpebras e depois os lábios que já estariam entreabertos. A campainha tocou às 17h. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 16:34

Quinta-feira, Julho 1

A Falsa Baiana Serviço
Tá assim ó de cachorros e gatos precisando de um lar. Como este blog é visitado por gente do bem, indico links para adoção.
Em Porto Alegre: Bicho de Rua e Protetores Voluntários. A Arpa - Associação Riograndense de Proteção aos Animais - não tem site, mas tu pode passar ou ligar pra lá: Rua Freitas de Castro, 172, fone 3223-1914.
São Paulo: Clube da Mancha, Aliança Internacional do Animal.
No Brasil: Animal World, Suipa, entre vários outros. Dá pra pesquisar no bom e velho Google, por exemplo. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:35

Eu sou Sol
Mas amo dias assim:



Esta foto é de Catherine Jamieson, que tem um trabalho visual divino. A "chapa" acima faz parte do projeto Photo of the day. Comments:
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