A Falsa Baiana

postado por: Bela Figueiredo 17:35

Quinta-feira, Setembro 30

Novidades, devaneios e comentários bobos
Mousse, o cão, passa muito bem após a cirurgia que fez ontem no olho esquerdo por causa de um prolapso da terceira pálpebra. O nome é feio mas a coisa é simples: uma bolinha de pele no canto inferior do olho.

Hoje almocei no Pacífico, aqui no Mercado Público, uma delícia de frango com molho de nata. É bom se agradar.

Às vezes eu falo como uma demente. Resolvi dosar as palavras que minha boca desenha. A isso dá-se o nome profilaxia.

Quero comprar uma bolsa grande, tipo sacola, que vi no CUT + PASTE.

Estou gostando de ter companhia em casa... Já havia me acostumado a viver sozinha, mas a presença da Ana, minha irmã, tem sido muito agradável.

Me cadastrei no MSN. Quero ver até quando vou usar.

Vejo tanta gente se intitulando "escritor" quando não passa de um alinhavador de letrinhas um ponto acima da plebe na escala [não-mensurável] da erudição.

Nõ tô gostando nada, nada dessa dorzinha de cabeça que acordou comigo hoje.

Adoraria ter um pátio e nele plantar temperos e flores, ver a Pantufa dar voadoras nas folhas... Curioso é que vivi a maior parte da minha vida numa casa com jardim e nem dava tanta bola. A gente muda, né?

Tenho algum assignment a entregar? Não, só postar novidades aqui.

E nesse clima de eleição termino o post com a música número um da play list de da Belinha Radio Station: "Porto Alegre com Raul é cada vez mais!/ Porto Alegre com Raul é cada vez melhor!" Comments:

postado por: Bela Figueiredo 10:08

Terça-feira, Setembro 28

Bilhetinho aos leitores
Nosso querido Gustavo Machado escreveu uma recado pra vocês, que publico abaixo:

"Caros leitores,
Quando a Bela fala nos meus 18 empregos, praticamente não é exagero. De uma forma ou de outra, todas as minhas atividades (mais ou menos) remuneradas estão (mais ou menos) ligadas ao processo eleitoral. Não tem havido tempo necessário para que eu produza o material das segundas-feiras com o afinco que vocês, bons amigos, motivo principal de ser dessas narrativas, merecem. E se não dá pra ficar bom, é melhor que nem fique, né?

Assim, eu e a jornalista Bela Figueiredo, presidente da Falsa Baiana Network S/A, decidimos que as estórias das segundas-feiras voltarão tão logo estejam eleitos ou reeleitos, em segundo turno, os prefeitos. Trocando em miúdos, depois das eleições. O que nos separa por mais uns 20 e poucos dias.

Neste tempo, serão muito bem-vindas sugestões de temas para o retorno das estórias. Querem mais Lola? Mais Sophia? Mais Samir? Mais Moskat? Mais outra coisa que não seja nada disso? É só pedir. Seria um grande prazer receber seus pedidos.

Tomem nota de dois e-mails que costumo abrir:
gustavmachado@hotmail.com, assim mesmo, sem o "o" do Gustavo; ou g.machado@correiodopovo.com.br

Caso não nos encontremos por e-mail, vejo vocês aqui mesmo, depois das eleições.

Deixo-os com fraterno abraço, Gustavo Machado."
Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:24

Quinta-feira, Setembro 23

Aviso aos navegantes
Gustavo Machado não enviou - ainda - a estorinha da semana, pois está sendo chicoteado por seus patrões.
Creio que o mais tardar amanhã teremos mais um acepipe sob a forma de letrinhas diretamente da cozinha dele. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 16:50

Terça-feira, Setembro 21

Contabilidade
Das coisas todas, sobrou a saudade de uma camiseta dele - minha preferida pra dormir. Tá, ficou um pouco de rancor, pois poderíamos nos tratar civilizadamente, ao menos, mas foda-se!, tudo que era EROS virou PATOS, naturalmente. E é assim que acontece, na maioria das vezes: desencanto, morte.

Não repetirei meu último modus operandi afetivo, até porque já sou outra, uma bruma, livre, pêra mordida, caos, nenhum tédio, promissora demais! Não quero mais fogo leve, mas a vida ardendo, tudo diferente, sem amarras nem palavrórios nem combinações. O que for, será espontaneamente.

A existência nos forja e eu, um aço, não me curvo - ao contrário, espicho idéias, sonhos, um olho no jornal e o ouvido na conversa alheia. Não me acomodo nem me moldo a nada nem a ninguém. Essa experiência eu já vivi e descartei. Pra sempre.

Às vezes, deitada, à noite, tenho uns flashbacks. Tento espantá-los, virando meu corpo contra a parede, pois já não me importa o que passou. Mas não posso mandar minhas lembranças embora - é preciso revivê-las e, mais que isso, elaborá-las, até pra poder compreender uma série de equívocos.

Ser solteira-morando-sozinha proporciona uma intimidade atroz com o próprio self. Eu diria até que viver só chega a ser obsceno de tão íntimo. Hoje, me reconheço muito mais e aos outros, então, nem se fala! Cinco anos de terapia me credenciaram à boa vizinhança com meus medos, planos, desejos e tristezas. Trocamos, inclusive, xícaras de café e nos alcançamos cigarros, eu e meus medos, planos, desejos e tristezas.

É, botando na ponta do lápis, só a camisetinha me faz falta. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 11:06

Pics
Tô com preguiça, por isso, apenas vejam. É facinho...


Sexta à noite, eu e Ana indo assistir o magnífico "O que diz Molero"
e nos deparamos com essa pichação linda. É fácil sorrir.



A minha flor mais linda entre todas as lindas e todas as flores que existem...
É mesmo facílimo sorrir.
Comments:

postado por: Bela Figueiredo 17:42

Quinta-feira, Setembro 16

Preciso:
- ler "Amor líquido", do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Fala desse absurdo por que foram tomadas as relações humanas - a velocidade em lugar da profundidade. E eu contribuo, mesmo que modestamente, pra essa porcaria toda, já que um blog é repleto de caracteres e não de suores. Os "relacionamentos em redes" são facilmente "desmancháveis".
- passear pela Colette, em Paris. Roupetas bacanas, CDs idem, design, cheirinhos deliciosos. Luxo! Todo mundo precisa de um pouquinho de luxo.
- ouvir um segredinho de alcova, sussurrado.
- beber suco de abacaxi com hortelã bem geladinho.
- estar em lugares onde nunca estive, nos recantos do meu sonho.

...

Preciso sair daqui. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 12:29

Quarta-feira, Setembro 15

Começar de novo...
Estive de folga segunda e terça e agora estou de volta. Como é difícil retornar ao trabalho, non? Sei que foram apenas dois dias, mas é tão bom ficar em casa, ocupar-se de si, não pensar em quase nada, dormir de tarde, brincar com os babies, comer fora de hora, colocar a fofoca em dia com as amigas... Enfim, o inferno é aqui. Como dizem os vizinhos catarinenses: "tem mas acabou".

Algumas coisinhas que passam pela minha cabeça:
Queria muito ter uma obra do Paulo Von Poser lá em casa, mas não consigo um contatinho com ele...
Gostei do Osho Bar onde reencontrei meus colegas de faculdade. Me senti num útero.
É um saco quando o dia começa assim: tu aperta o botão pro elevador subir e ele desce.
Utopia: essa música não me sai da cabeça: "papai do céu, me dá um namorado/ lindo, fiel, gentil e tarado".
Amo cheiro de goiaba e de pêra.
Tenho "nojores" d'um cara casado que sempre me olha com cara de "pidão".
Dia 26 o Mousse dará seu primeiro passeio na Redenção.
Entendi, finalmente, uma teoria sobre a fase oral.
Terminei o Singer. Perfeito!
Sempre que alguém tem um cacoete eu, automaticamente, copio.

Chega de conversa mole. Vamos a ele: Gustavo Machado!

Lado oculto da pele
Lola arregalava os olhos e mordia as costas da mão esquerda a cada nova fisgada. Arrancavam-lhe a pele do ventre pelo lado de dentro do corpo. Todo mês a mesma coisa, ela pensava, tonta pelo excesso de analgésicos criados com boa intenção científica e eficiência relativa para aquele calvário feminino. Um sofrimento universal e democrático que irmanava ciclicamente mulheres de todos os continentes. Na dor, somos iguais, ela ruminava, enquanto na TV pessoas morriam queimadas num incêndio. Filme estranho. Não gostava do canal 43. Sentia vontade de estourar pipocas no microondas mas não havia disposição suficiente no resto de sangue que lhe pulsava no corpo. Como no dia em que descobrira o fim do fermento com o forno já quente, o dia em que o bolo falhara por falta de fermento e namorado, lamentou novamente a solidão. Não, não era solidão. Era falta de sorte. Sorte de encontrar um namorado à altura de comprar fermento e estourar pipocas. Namorado de mãos quentes que domassem os dragões que lhe comiam os interiores, intimidando a profilaxia dos comprimidos desenvolvidos por homens que jamais haviam sonhado com dores lancinantes assim. De qual dor sofrem os homens? Dói quando apertam o dedo na janela, beliscam pele do pênis no zíper, quando se machucam no futebol, batem a cabeça numa porta de armário aéreo. Sofrem por acidentes domésticos ou desportivos. Só. Não, não era só, não. Os pobres também sofriam dores espirituais como a negativa de namoradas. Sofriam mesmo quando rechaçados por mulheres a quem faziam a corte. Mas isso era pouco. Era ínfimo. Não houve na história da humanidade um único homem que tivesse sido veículo de dor semelhante àquele martírio mensal, Lola tinha certeza. Quando Giordano Bruno foi queimado, não sofreu tanto. Imaginou outros mártires esquartejados e chamuscados e mutilados e esticados. Lembrou sobretudo dos santos: as hagiografias haviam marcado sua infância de colégio católico. Nesse gênero literário, quem mais sofria eram os santos-homens. Talvez o padecimento masculino viesse findando em ritmo proporcional ao do desleixo dos processos do Vaticano em prover o mundo de novos santos, ela pensou, não exatamente nesses termos. E foi quando mergulhava em sofrimentos os mais profundos e pensamentos os mais longínquos que a campainha do porteiro eletrônico apitou. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 09:58

Sexta-feira, Setembro 10

Até Ber muda
Como tudo muda, até surda muda, eu também mudei. Estou no GMAIL definitivamente, depois de estresses horríveis com a configuração de e-mails do WALLA! e com a baixa capacidade do HOTMAIL. Entonces, deletem meus outros e-mails. O que vale é belafigueiredo@gmail.com Comments:

postado por: Bela Figueiredo 14:02

Quinta-feira, Setembro 9

Eu jamais os abandonarei
Meus queridos, eu ando atrolhada de trabalho, por isso, não tenho exposto a minha vidinha vulgar, ao menos nesse espaço. Aliás, os comments têm sido um show à parte aqui na FALSA BAIANA. Penso, inclusive, em organizar os melhores e publicar. Posso?

"Grande pátria desimportante/ em nenhum instante eu vou te trair/ eu não vou te trair"
E nessa levada ufanista, meu feriado teve:
- 5h30min: Enxame de abelhas no meu edifício e seis - eu disses SEIS - bombeiros fazendo vistoria em minha humilde morada. Sabe, sempre achei os bombeiros atraentes pela composição virilidade + meiguice [apagam incêndios horríveis e enfrentam abelhas africanas mas também salvam gatinhos indefesos presos em árvores]. Em tempo: hoje, a colméia será removida.
- 7h30min: Vesti um modelão careta e fui pro Desfile do 7 de Setembro, na Perimetral, pois estava de plantão. Não, eu não abanei a bandeirinha do Brasil. Sim, eu quase morri de pena dos cachorrinhos desfilando naquele asfalto em brasa.
- À noite, bafão com meu vizinho oriundo do interior que, estranhamente, ouve som de rave no milésimo volume. Arrasa, guria! Este foi o momento da valorosa Brigada Militar.
- Bueno, só faltou a Marinha e a Aeronáutica.
- Já nos 45 do segundo tempo, Muffuletta com Gus, Jujubeitor e minhas Anas. Deu pra assustar a saudade, non?

Para encerrar esse post, uma leitura que me acompanha desde criança, um trecho do Salmo 90:
"Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo, que moras à sombra do Onipotente, dize ao Senhor: sois meu refúgio e minha cidadela, meu Deus em que eu confio. É ele quem te livrará do laço do caçador, e da peste perniciosa. Ele te cobrirá com suas plumas, sob suas asas encontrarás refúgio. Sua fidelidade te será um escudo de proteção. Tu não temerás os terrores noturnos, nem a flecha que voa à luz do dia, nem a peste que se propaga nas trevas, nem o mal que grassa ao meio-dia."

Comments:

postado por: Bela Figueiredo 15:02

Segunda-feira, Setembro 6

Ele dispensa apresentações e eu, as convenções
Por isso, apresento um novo texto da série do meu grande amigo, jornalista dos bons, homem sensível, criador de Lola, Samir e Beth, entre outros vários personagens. Falo, obvious, de Gustavo Machado, a estrela das segundas-feiras da Falsa Baiana.
Pê Ésse: Perdão, meu querido, mas estou virada e completamente sem inspiração. Tu merece um "abre-alas" BEM MELHOR.

Três ou quatro gramas de beleza
Antes de abrir os olhos, torceu para que sua primeira visão fosse Samir. Mas não. Mesmo escondia atrás das pálpebras, sentia o peso de um braço sobre sua barriga. Um braço leve. Pele macia. Além desse braço havia outro peso. Um rosto  imberbe usava seus seios como travesseiro. Ah, quanta permissividade. Ficou furiosa. Sempre que deixava a colega dormir lá era assim: excesso de intimidade. Impressionante como as pessoas jamais se contentam com pouco mais que o mínimo, ela refletiu. Tentou lembrar da noite anterior. Não pôde. Só fragmentos e o gosto da tequila descendo rascante. E gargalhadas. Agora era um domingo de manhã e Samir estaria preparando o desjejum a alguma puta. Que bela troca de vida, ela pensou, afastando o quase-cadáver de Beth que, tentava, mesmo em sono profundíssimo, beijar-lhe o lóbulo da orelha direita. Havia roupas por todos os cantos e reinava no ar uma pesada mistura de odores: dois perfumes misturados, tabaco, suor, incenso, álcool. Sentiu náuseas. Tentou erguer-se com jeitinho mas acabou tendo que empurrar a amiga que quase caiu da cama e, depois de três ou quatro palavrões, voltou a dormir. Sophia pisou com os pés descalços no parquê do pequeno apartamento a que tinha voltado. No segundo passo em direção à janela, chutou um cinzeiro lotado. No terceiro, amassou um brinco. Praguejou e sentiu vontade de chorar. A vontade aumentou quando viu no espelho os olhos borrados, tão bem delineados na véspera. E o rosto inchado. E o pescoço marcado a dentes. Teve a impressão de que a cada dia perdia três ou quatro gramas de beleza. A vida era assim, pensou, uma permanente transformação. E sempre para prior. Abriu as cortinas. Na rua, um dia azul, seco e gelado. Pensou na proposta do velho da bengala. Uma proposta parecida com a de Samir. A única diferença era o velho. Beth dizia que ela não devia aceitar. Mas  o que Beth entendia sobre qualquer coisa, com 20 anos?  Enfiou Norah Jones no CD player e encheu a banheira. Beth acordou com a música. Submergiu por segundos-anos. Na volta, a amiga estava sentada na borda da banheira e massageava sua cabeça. "Vou lavar pra ti. Como no salão. Fecha os olhinhos", disse Beth, e em seguida começou a falar de uma liquidação de sapatos em uma loja nova do Iguatemi. Com os olhos fechados, como devia ter continuado, sentiu o corpo amolecer como se cozinhasse em sais minerais e  água quente.  Claro que ela preferia que Beth não fosse Beth. E que Beth se contentasse em ser sua irmã mais nova emprestada. Mas era bom que ela estivesse ali. Se o velho quisesse, teria que ficar com as duas. Ia propor isso, sim. Ou não proporia nada. Algo tinha que ser feito. Mas primeiro ia lavar os cabelos. Comments:

postado por: Bela Figueiredo 11:37

Sexta-feira, Setembro 3

Cachorreiros da Redenção, de Porto Alegre
O prefeito João Verle se reunirá com os "cachorreiros" da Redenção no domingo, 5, às 15h, na Administração do Parque. A pauta é o Cachorródromo.

A presença do maior número de pessoas é essencial.

Até lá!! Comments:
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