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A Falsa Baiana
postado por: Bela Figueiredo 12:26
Terça-feira, Agosto 30
Cotidianamente
A vida me sorri. Agora, a saudade, essa sim é uma prostituta com ótimo condicionamento aeróbico, que anda de lá pra cá em todas as esquinas da minha existência. E aqui transcrevo trechos de um e-mail meu para Gustavo Machado, mas não tem problema - ele não é ciumento. Então, sobre a saudade é assim: pai, mãe, irmãs, Mousse e Pantufa [filhos], Ronaldo e Zig [sobrinhos-cães] , o balcão do Café à Brasileira, o próprio Gus, a padaria da esquina, as ruas que conheço, meus pequenos hábitos, enfim.
Filmes: Bonequinha de Luxo [pela enésima vez], O Agende da Estação [belíssimo], Sin City [odiei com todas as minhas forças], Um Filme Falado [começa que é um tédio só, mas depois tem Catherine Deneuve e John Malkovich, enfim, um final surpreendente], Adorável Julia [adorável mesmo].
Coca Light e Jack Daniels. Estou de dieta e fumando demais; escrevendo feito louca, pois Paulo Bentancur* me desafiou a produzir quarenta contos curtinhos; rezando e cada vez mais conectada com Deus; tomando corticóides pois minha pele não suporta a poluição, repito, e chimarrão para homenagear os antepassados; comendo peixe três vezes por semana; ouvindo música francesa e tudo de Dorival Caymmi e Carmen Miranda. E mesmo assim não é fácil estar longe do que domino, do que conheço. Mas a paz virá. Por enquanto tudo é revelação.
Música da semana: "Papai do Céu, me dá um namorado/ Lindo, fiel, gentil e tarado", mas que, por favor, não seja o Xuxuzinho, título da música de Roberto de Carvalho.
*Leia critica de José Castello em O Globo a Bodas de Osso, último livro de Paulo Bentancur. Não tem como colocar link aqui. Basta fazer uma pesquisa rápida no Arquivo Premium do www.oglobo.com.br
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postado por: Bela Figueiredo 13:26
Sábado, Agosto 27
O titulo do post é Três pontinhos ou Reticências
A música que não sai do repeat é de Pink Martini, "Je ne veux pas travailler". Nasci para o desfrute, vocês sabem, mas a realidade é que passo de mangas arregaçadas aqui em São Paulo. Adultismo é isso mesmo. Não tenho muito o que dizer, então, melhor calar os dedinhos.
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postado por: Bela Figueiredo 19:34
Quinta-feira, Agosto 25
Gift
Um conto meu especialmente para vocês.
A última dança
Queria morrer picado por uma vespa azul e rara, num safári na África. E que isso acontecesse quando ele estivesse sentado no lombo de um elefante. Rápido. Sem sofrimento. Nem dor. Como todos queremos.
Enquanto a morte não lhe soprava um hálito frio no rosto nem lhe convidava para a última dança, ele seguia vivendo entre lençóis de cetim, filmes antigos e telefonemas para a avó e os poucos amigos.
A vida fluía segura, pois não comprando uma passagem para a África, continuaria vivo no seu exílio na montanha "onde sempre temos três graus a menos que na cidade, minha querida", repetia sempre que perguntado porque havia se afastado do Centro e suas facilidades.
Noite dessas, entre bourbons e cigarros fumados em piteiras para não manchar os dedos, me contou que na sua família as pessoas morrem ou a facadas ou de acidente de trem ou engasgadas. Desafiávamos mais uma vez a vida falando sobre a morte. Que tolos nós dois! Moços se ocupando do porvir e cientes de que o dia da dançar com a senhora gélida estava longe.
A possibilidade de morrer num acidente de trem era remota, já que pilotava um off road. "O engasgo", eu disse, "se resolve com uma bucha de pão goela abaixo", agora, a facadas é bem provável, pensei bem baixinho pra nem eu mesma ouvir. O meu amigo tem ímpetos que poderiam lhe render um belo corte na garganta: a língua afiada. E mortes talhadas à faca são passionais, ocorrem, freqüentemente, entre machos -coisa de homem para homem.
Secamos a última gota da garrafa, apertei um cigarro no cinzeiro enquanto meu amigo sorria. Deitei no colo dele com uma quase certeza (se é que existem quase certezas; às vezes chamam isso de intuição, mas não acredito muito) de que eu choraria ao lado do corpo dele num lindo dia de sol, distante ainda, e guardaria nossos pequenos segredos como pedras raras. Nesse dia, eu lamentaria não lhe ter comprado um safári para a África, onde seu desejo teria se realizado.
A única certeza é que a senhora lânguida um dia vem e a minha família vai aos noventa fácil. Meu amigo, sei, não assistirá a minha ultima dança pois enverga a beleza dos que morrem jovens.
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postado por: Bela Figueiredo 17:26
Terça-feira, Agosto 23
Paroles
Após receber um e-mail da minha professora de Literatura no segundo grau, Vandira Guatimosim, mestra e amiga que eu havia perdido o contato, chorei. Ela é uma criatura linda e só quem conhece pode saber o quanto e o tanto que é. A mestra questionou sobre minhas palavras. Repliquei:
Sobre as palavras, o que dizer dessas putas que não me cobram nada, aparecem como feixes de luz justo quando estou no limbo? O que dizer dessas entidades que me dominam, me fazem de marionete, me antecedem, me jogam no mundo? Através delas falo da matéria de meu maior interesse: as pessoas. Palavra escrita e falada. Preciso estar com as pessoas para descrevê-las, amá-las, ter raiva delas, compreendê-las, julgá-las (sim, sei que é pecado cristão julgar, mas é inevitável formular um conceito depois de ter contato com as gentes e seus jeitos e manhas e manias).
Incidental: "Que moça culta, a Maria Eduarda: usa ponto e vírgula!" Eita Mário Quintana!
Com a palavra, vocês, meus caros amigos.
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postado por: Bela Figueiredo 14:17
Segunda-feira, Agosto 22
Mix
Baianices, Zé do Caixão, Bar Brahma, senador Eduardo Suplicy e programa gay na TV.
Leia na minha coluna no do UOL.
Para ler basta clicar em Qual é a música?
Comentários por aqui ou pelo e-mail belafigueiredo@gmail.com
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postado por: Bela Figueiredo 13:28
Quinta-feira, Agosto 18
Breviário
Caminho com os pés untados por essa cidade onde o anonimato é uma farsa com hostess nas portas dos clubs.
Entendo, agora, que tudo é uma questão de manutenção de hábitos.
1. Lugares - Não existe a padaria da esquina, mas Pão de Açúcar por todos os lados. Muffuletta, Ocidente, Fina Brandão e outros que tais estão a uma hora e meia daqui pour avion, então me divirto no Directors Gourmet, D-Edge, Bubu, Tostex, Spot. E na sexta-feira vou conhecer o Bar Brahma, onde minha querida e conterrânea Márcia Tiburi participa de debate com João Gordo e Lobão. O tema ainda não sei, mas estarei lá de olhos bem abertos.
2. Amores - Miguel é um amigo incrível com seus petit males, pernas inquietas e todo o universo que lhe pertence. Além do que, cozinha primorosamente de porpettas da mamma a chancliche.
E viva o msn! Tenho conversado com as minhas irmãs diariamente e tudo graças a Bill Gates, aí a saudade dá um tempo, um break curto, mas ajuda.
Bofes queridos surgem por geração espontânea e nem estavam na pauta.
3. Rumores - Troquei os chatos jornais diários da província de São Pedro por Blue Bus, Bravo! e O Estado de São Paulo que me deu uma assinatura free por um mês [tenho sido muito bem tratada na terceira metrópole do mundo].
4. Pudores - Existem pedidos que são como castigos, mas eu dou uma chibatada neles e digo: à merda!
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postado por: Bela Figueiredo 12:21
Segunda-feira, Agosto 15
'Pavão misterioso' ou 'A vida é bela/ só nos resta viver'
O pai passou o fim de semana comigo em São Paulo. Melhor presente de aniversário. Ele é um buda, querido, amigo de verdade. O meu melhor.
Tostex na sexta e o professor Pimenta me deu de presente O Casamento de Muriel, que amo.
No sábado: Congonhas, Spot com pai e Migs, depois Out Back e papos e amores e paroles.
Aí chega o famigerado dia: domingo, mas foi bom. Feirinha do Bexiga e uma pérola: a segunda edição de A Idade da Razão [sugestão do meu querido Gustavo Machado, que se fez presente via Embratel]. Mãe no telefone - algo já previsto. Seguindo o ritmo: Congonhas, cafés, despedidas, beijos e saudade cinco minutos depois do embarque. DVDs pra espantar a tristeza, msn com minhas irmãs e dormir no meio do segundo filme.
Cadeira de rodas foi a pauta do fim de semana. No Out Back, um cara bem jovem com seus filhos, no Casamento de Muriel e no Menina de Ouro e, antes disso, na quinta, eu e Bia falamos de um amigo querido que também usa uma.
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A trilha: Pavão misterioso nessa cauda aberta em leque/ Me guarda moleque de eterno brincar/ Me poupa do vexame de morrer tão moço/ Muita coisa ainda quero olhar.
Nota: O pavão azul é e uma ave rara, originária do Sri Lanka. E se alimenta somente de flores e frutos silvestres. Segundo lendas remotas, o cortejo do pavão macho é um dos mais belos de todo o reino animal. Hipnotizam desde sua fêmea até a maior serpente. Bicam o olho da serpente.
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postado por: Bela Figueiredo 13:18
Quinta-feira, Agosto 11
Portraits do Amor
Foto 1 - Primeiro, tá tudo bem. Termino a produção no banheiro, promissora demais.
Foto 2 - Depois, brota uma dor, que eu não sei de onde vem. Ela espalha seus tentáculos ásperos e quilométricos, justo aonde estava tudo ok.
Foto 3 - Daí, eu choro. Só sente saudades quem ama. E só chora quem sente saudades.
 
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postado por: Bela Figueiredo 22:32
Domingo, Agosto 7
Período de adaptação
Munida de corticóides tópicos para minha pele agüentar a poluição horrorosa de São Paulo, tenho ficado imersa num casulo de seda, em Alphaville, onde escrevo nas paredes em balões de estórias em quadrinhos. As primeiras palavras foram: "as a bird".
Vivemos, eu e Miguel[*] entre drinks à base de água com limão, mel, gelos miúdos e graúdos. A playlist vai de "hoje eu sou a sua Ma-ra-vi-lha", passando por Nina Simone, Caymmi até a trilha do Duets.
MWF lê "Paroles Zen", se preocupa com a qualidade do ar, faz pipocas e assiste a DW. Bela se ocupa de bulas de remédio e coloca a saudade pra dormir tomando chimarrão, teclando com as irmãs no msn e falando com os pais ao telefone.
Durante as duas noites na paulicéia, encontros frugais com o sexo oposto, contudo, permeados pela gentileza que uma princesa como eu mereço. Um alento para as chagas do peito que me antecedem. A partir de agora, não sofro deste petit mal.
Minhas patas dianteiras, bastante elogiadas por aqui, produzem letras, afagos e rezas no rosário presenteado pela mãe.
Entendido isto, jobs a partir de amanhã.
[*] MWF=Miguel Waihrich Filho, meu partner.
Brincando com as cores na cidade cinza.
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postado por: Bela Figueiredo 13:09
Quarta-feira, Agosto 3
Leitura do dia
Está no ar a minha segunda coluna no Showlivre.com do UOL. Para ler basta clicar em Qual é a música?
Comentários por aqui ou pelo e-mail belafigueiredo@gmail.com
Ah, o referido texto é ilustrado com fotos de Maurício Capellari, anteriormente publicado aqui na Falsa Baiana.
E amanhã, dia 4, vou me tapar de quero-quero. São Paulo: dá licença que eu tô chegando!
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