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A Falsa Baiana
postado por: Bela Figueiredo 23:03
Quinta-feira, Setembro 29
Ânimo
Não se trata de namorado novo, massagem cardíaca ou respiração boca a boca, mas de Roy Lichtenstein.
A exposição "A vida animada" traz 78 desenhos e colagens do bambambam da Pop Art a São Paulo.
Eu que adoro (!!!) lá estarei.
"Interior With Water Lilies" - 1991 -->Roy Lichtenstein
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postado por: Bela Figueiredo 08:57
Quarta-feira, Setembro 28
Da coisa essa de escrever
Não tenho mais saúde. Definitivamente. Nem pra esses ataques de Garota Verão por que são acometidas certas fuinhas que consideram o próprio pâncreas sexy. Nem pras marthas e suas coluninhas invertebradas. Menos ainda pro senhor badalado aquele com nome de maurício, ops!, de Luis, que se esconde, inclusive, da inteligência arrebanhada entre a França e não-sei-aonde. É uma questão de saúde, criaturas!, mental.
E questiono: de que adianta esse nhé-nhé-nhé todo? O que poderão fazer os caríssimos? Entregarão a esta chata suas vísceras? Repartirão os dons e o amor e a repúdia? Irão os ilustres emprestar erudição? Ou quem sabe um resquício de compaixão? Talvez se organizem num rodízio e sirvam seus banquetes, inteligentemente, um de cada vez. Hipóteses...
Mesmo acometida pelo ranço intelectual, feito Clarice Lispector, pediria que minhas linhas fossem lidas "Apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradual e penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo do que vai se aproximar".
Frida Kahlo
O Parto
Idéias flanavam num azul de comover. Foi bem cedo da manhã, quando as contrações iniciaram. Quase meio dia, viriam num repente: cinco em cinco minutos. E as idéias seguiam rebentando feito flor de desejo. Nem choro nem riso, mas mescla deles.
A melhor dor é a de contar uma história amena, onde as personagens não passam de serenas criaturas, meigas sob o sol. Porém, em canto algum desta manhã cinza recolho nesga sequer de gentes tranqüilas para copiar os gestos límpidos, a alma trespassada na fronte em cruz.
Parir sem maturar - triste parir sem maturar. Mais solavancos: a criança virá prematura. Feto mal formado, mas há que vir, nem que seja a fórceps. Toda essa rapidez por conta da vida moderna que segue a prescrever pressa. Parto induzido. É hora da vagabunda ganhar vida, mesmo que anã. Palavra trancada feito virgem de nada vale. Por isso, expurgo, vomito fonemas.
Um pequeno sol enfia as fuças no meio do céu, sinalizando o momento para criar ventosas na idéia e aderir-se aos sinônimos catalogados por Buarque de Holanda. Minha glote arrota qualquer embrulho que se fez cancro. Tem algum tempo esse hábito de perseguir palavras mudas e musicar idéias alheias. E por isso, passei a viver entre uma ideiazinha que funde desejo e hábito. Não sei, ao certo, se mais desejo ou hábito, enfim, onde tudo começa, se é um ou outro. E quando termina - ou inicia, não lembro bem -, desanco parágrafos com meneios de cabeça. Maldigo uma sílaba aqui, outra ali para, no cume, acrescentar mais um natimorto às estatísticas.
Agora, já passa das nove e não sei descrever coisalguma. Não vale brincar de cabra-cega com os fonemas. Detrás da orelha, puxo com o indicador um ai por vez. Cato. Não vem. Amém, Jesuzinho. Me mantenha muda, mas não corta o cordão umbilical que me conecta às gentes.
A tarde talvez encare nuvens limpas. E quando o sol se atirar pelas beiradas da ilusão, feito caroço de pêssego, vou cuspir qualquer princípio de raciocínio. Borrada, mancha marrom mimetizada em galhos sem flor, me alimentarei de chupar idéias alheias como quem come manga carnuda e doce demais pro ácido da minha língua.
Agora pela manhã, acudo ainda uns hieróglifos que insistem em se precipitar da margem e sigo tipo caracol, levando a casa encantada dos sonhos todos na garupa.
Por fim, quando o olho do astro vermelho se deitar sobre a linha tênue do infinito, me aninharei, cansada, sob uma coleção de virgulas e pontos finais mofados.
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postado por: Bela Figueiredo 09:16
Terça-feira, Setembro 27
Movendo céus e terra
Um conto mitológico pra vocês.
Não sei se cuspo ou lhe adoro
"Não podeis tocar uma flor
sem perturbar uma estrela."
[Bacon]
No começo era o Caos. Mirta não via nada além do oceano gigantesco e assustador à sua volta. As ondulações de qualquer corpo que fosse, lhe deixavam mareada, com saliva grossa na ponta da língua. Em seguida, feito Aton, Claus emergiu de um botão de lótus. Dali em diante, a tormenta viria com mais força e dureza. Não seria possível escarrar Claus para fora do Universo: ele estava ali, forte, teso e barrigudinho.
Em seguida, veio a Umidade e o Ar. À primeira vista, Claus se parecia com um senhor de meia idade. Sua pouca estatura e a pequena pinta que Mirta não soube precisar em qual face, mais uma arrogância de doer. Também eram de Claus as costas curvas pontuadas por pequenas esferas - como um céu estrelado. De sua boca saltavam palavras obscenas e úmidas. Mirta veio para lhe dar fôlego. Claus jamais iria arfar.
Claus é a Terra, os chifres para Mirta; e ela, o Céu onde ele finca as guampas. Geb e Nut renasceram sob o signo de Claus e Mirta. E a adoração do Céu pela Terra rendeu à Mirta dores terríveis no estômago. Precisava cuspir a todo o instante algo que havia começado acabando, já que no meio do caminho tinha uma pequena divindade também a adorar Claus, uma Pedra dura e sólida.
Na primeira aparição, Claus estava descalço e levara Mirta a uma caverna úmida e abafada. Brincaram ali por alguns instantes, entrelaçando os dedos brancos. Os pés congelavam. Foi quando o Vento começou a soprar com força e os deuses sentiram arrepios. Mirta colocou Claus sobre as costas e ali se aqueceram e murmuram numa língua desconhecida - ele com a pinta virada para ela - e ela, com o rosto projetado para frente, de cara para a Rocha.
Somente a Terra apaga o Fogo e o Ar, por sua vez, alimenta a chama. Mirta tinha ânsia de apreender Claus para dentro de si, mas havia a Pedra, bruta, que acomodada sobre o junco, tão cedo não sairia do caminho. Mirta, então, soprou, soprou, soprou e amontoou a Terra há longa distância da Pedra. Mas os dois elementos ainda estavam no chão: Pedra e Terra até que casavam bem.
Tentou mais algumas golfadas de Ar - não sucumbiria. Até que um redemoinho se fez em volta do amontoado de Terra, subindo ao Céu. Lá tiveram o segundo encontro, quando Geb agradeceu Nut por ter-lhe feito valer o dia. Em seguida, desceram os deuses dos céus e tomaram a forma de homem e mulher, de Claus e Mirta. Ela jamais teve vontade de cuspir seus enjôos nem temeu a Ira. Claus tornou-se súdito dela. Sentaram-se, os dois, sobre a Pedra e ali nasceu uma flor.
*
"THE END" em caixa alta.
A estória de Claus e Mirta é cinema puro, sem cortes nem closes. Apenas olhares em plongée, de um Céu que não cansa de observar a Terra, porém, envoltos em uma película de bitola bem pequena que acabou ganhando a cena. "É que o cinema era ali, na vida real".
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postado por: Bela Figueiredo 09:13
Sábado, Setembro 24
Asteriscos about me
Sou uma criatura abençoada, não tenho dúvidas. Fica cada vez mais claro. Tenho sido presenteada, quase que diariamente, com surpresas agradáveis. E ontem eu mesma cooperei, ligando pra minha mãe - não dá pra ficar brigada com a progenitora, mesmo que ela precise abrir espaço no coração para acolher uma pessoa exagerada como eu.
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Meu pai faz 60 anos semana que vem e não estarei em Porto Alegre. Descobri que ele é generoso ao extremo também porque nasceu no Dia de Todos os Anjos ou Dia do Anjo da Guarda, não lembro bem. Me arrastarei até os pés dele via Sedex. Pode parecer excesso dizer que vou me arrastar aos pés do meu pai, mas ele merece toda deferência porque é um homem sublime, tem destreza, é calmo, amigo, íntegro. Espero que funcione o Sedex, pois os Correios andavam (andam?) em greve.
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Minha avó, aos 79 anos, inaugurou ao lado de sua neta e minha irmã mais nova, Ana Clara, uma exposição fotográfica. Antes disso, esteve na Europa e se perdeu do grupo clicando as tulipas que tanto ama, na Holanda. Mas a matriarca-mor anda por aqui e ali com o grupo Câmeras Viajantes.
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Concluo que minha genética é absurda: tenho pessoas exigentes, loucos, anjos e artistas na família, sem contabilizar os zen e os desbravadores. Só podia dar no que deu!
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O Rapaz tem o mesmo nome do meu avô e esta é uma pista vaga e não escreverei mais nada além da pergunta que não quer calar: será que o Rapaz tem algum Juarez na família? Explico: Juarez é quase uma senha para a minha vida, já que, desde criança até os dias que correm, vejo o referido nome pichado em muros, tivemos um jardineiro Juarez, alguém que me dá um cartão de visitas e lá está gravado: Juarez Alguma Coisa, o pai de não sei quem, enfim, uma série de variações.
Pensei sobre isso na banheira, ontem à noite, exausta. Queria só uma ducha rápida, mas o barulho forte da água atrapalhava meus pensamentos sobre o Rapaz e ele merece paz e silêncio, reverências e nada de referências.
Ainda sobre o tal Rapaz: não sei o que dizer, pensar, como fazer. Talvez seja o tal "Tiago" a que se referiu uma amiga como: "subst. masc. sentimento inominável, sem semelhança completa com a paixão, embora carregue em si elementos da loucura característica deste estado; tampouco semelhante ao estado de amor normal, morno e sem percalços, de calçadas retas e uniformes. É sentido como algo fortíssimo, perigoso, absurdo e sem controle, muito mais semelhante à morte de si mesmo ou à queda de um décimo andar. Folie a doux".
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Escrevo porque não sei cantar. Mas desenho bem, logo, poderia desenhar ao invés de escrever. Contudo, a escrita me invade, me toma de assalto, me antecede, é mais forte que a mostarda preta que tanto adoro.
Escrevo porque me encontro, revelo, desnivelo na palavra. Fico nua, completamente, aliás, arranco a pele. A palavra me despe por inteiro, retira as velhas chagas do peito, me revolve, devolve alegria, expõe exatamente como sou: forte e fraca, anciã e criança de colo, ignorante e inteligente, gentil e rude, miséria e fartura.
Não passo de uma saca de caracteres, pontos e vírgulas, acentos, hieróglifos mais um coração que tomou conta do pulmão esquerdo.
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Encerro o post como comecei: sou abençoada, ungida pelo Bem, graças a Deus, principalmente, e à genética, esforço e preguiça pessoais, por juarezes e seus parentes e, sobremaneira, pela palavra que me entrega embrulhada para presente ao mundo.
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postado por: Bela Figueiredo 23:05
Quinta-feira, Setembro 22
Encontrei o elo perdido entre Axl Rose, Djavan, Rolling Stones e Gilberto Gil
Sem mais delongas, leia minha coluna no Showlivre.com do UOL. Basta clicar Qual é a música?
Comentários por aqui ou pelo e-mail belafigueiredo@gmail.com
O silêncio também é bem vindo.
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postado por: Bela Figueiredo 09:02
Quarta-feira, Setembro 21
Haverá paraíso?
Ouvindo a canção de Arnaldo Antunes me pus a pensar se haverá mesmo paraíso. Eu creio nele, não é novidade para ninguém que tenho fé. Mas assim, tudo tão torto, quebrado, dissimulado que o Coisa Ruim até me coloca, às vezes, um elefante atrás da orelha.
Acontecem coisas que eu não imaginava que viriam de pessoas tão amadas. E tem as crianças que deveriam estar na escola e estão fazendo malabares no semáforo e os pop ups dizendo compre isso e aquilo e será mais feliz, além do que amigos ficam distantes quando só preciso de ombros e ouvidos. Posso falar ainda, repetitivamente, da corrupção que grassa no País (e sim, eu tinha esperança no Lula, votei nele); dos zilhões de criaturas fakes, sempre ocupadas e/ou ausentes; antes era o Katrina, agora, é o Rita (a natureza se manifestando, a mãe-mor avisando que está tudo errado), enfim. E se eu for listar aqui os itens que me fazem pensar se haverá ou não paraíso, daremos a volta ao mundo enfileirando pensamentos, um a um, sob a forma de letrinhas.
Haverá paraíso ou eu sou Alice no País das Maravilhas, hein?
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postado por: Bela Figueiredo 00:35
Segunda-feira, Setembro 19
A vida é cheia de som e fúria
Ouça, é só o que posso dizer.
Clique aqui, apenas uma vez e aguarde carregar!
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postado por: Bela Figueiredo 12:05
Quinta-feira, Setembro 15
23 de outubro de 2005 é dia para dizer SIM ao desarmamento!
E cuidado que a pergunta já é um pega-ratão. Tem que responder SIM para dizer que NÃO quer mais armas e mortes no Brasil. Quando responde SIM AO DESARMAMENTO, o brasileiro está dizendo NÃO à barbárie.
No referendo, responderemos à pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" Eu digo SIM! SIM! SIM! E por quê?
- Estudo da Unesco revelou que 5.563 vidas foram poupadas em 2004 no Brasil devido ao Estatuto e à campanha do desarmamento.
- O Brasil é o país do globo com o maior número de pessoas mortas por armas de fogo. Números de 2003: saldo de 108 mortes por dia, quase 40 mil no ano. Que absurdo!
- Arma de fogo é a primeira causa de morte de homens jovens no Brasil. Mata mais que acidentes de trânsito, aids ou qualquer outra doença ou causa externa.
- O Brasil tem cerca de 17,5 milhões de armas em circulação, das quais, apenas 10% pertencem às forças armadas e polícias. 90% estão em mãos civis.
- É muito mais fácil matar alguém a tiros do que dar uma facada. É mais asséptico e rápido, não dá tempo da vítima pedir socorro. "De cada 4 feridos nos casos de agressões por arma de fogo, 3 morrem". [Datasus, 2002]. "As tentativas de suicídio com arma de fogo também são mais eficazes: 85% dos casos acabam em morte". [Annals of Emergency Medicine, 1998].
- Ao contrário do que a maioria pensa, ter armas em casa aumenta o risco e não a proteção. "No Brasil, duas crianças (entre 0 e 14 anos) são feridas por tiros acidentais todos os dias". [Datasus, 2002].
- O mercado legal de armas abastece o crime organizado que dá as cartas nesse País. Para se ter uma idéia, "80% das armas apreendidas pela polícia do Rio de Janeiro (de 1993 a 2003) são armas curtas e 76% são brasileiras; 30% delas tinham registro legal" [DFAE, 2003]. E atenção: "as armas que mais matam no Brasil são brasileiras, principalmente os revólveres 38 produzidos pela Taurus".
- Conforme dados divulgados pela ONG Educadores pela Paz, da qual faz parte o meu amigo padre Marcelo Rezende Guimarães, o Estatuto do Desarmamento é uma lei que desarma o bandido, pois dá meios à polícia para aprimorar o combate ao tráfico ilícito de armas. "O estatuto estabelece a integração entre a base de dados da Policia Federal, sobre armas apreendidas, e a do Exército, sobre produção e exportação. Agora as armas encontradas nas mãos de bandidos podem ser rastreadas e as rotas do tráfico desmontadas. Pela nova lei, todas as novas armas serão marcadas na fábrica, o que ajudará a elucidar crimes e investigar as fontes do contrabando. Para evitar e reprimir desvios dos arsenais das forças de segurança pública, todas as munições vendidas para elas também vão ser marcadas".
- E o argumento mais recorrente para andar armado é: "preciso de proteção... bandidos usam armas e pais de família morrem nas mãos de traficantes e assaltantes". Vamos lá! Mais uma vez a estatística: "Usar armas em legítima defesa só dá certo no cinema. Segundo o FBI, para cada sucesso no uso defensivo de arma de fogo em homicídio justificável, houve 185 mortes com arma de fogo em homicídios, suicídios ou acidentes. As armas em casa se voltam contra a própria família. Os pais guardam armas para defender suas famílias, mas os próprios filhos acabam por encontrá-las, provocando-se, assim, trágicos acidentes".
Ah, Marcelo Yuca, Negra Li, Emerson Fittipaldi e Lenine, entre outros, dizem SIM ao desarmamento.
E eu fico aqui, repetindo como um mantra da paz: SIM, SIM, SIM, SIM, SIM, SIM, SIM, SIM, SIM ao desarmamento... ad infinitum.
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postado por: Bela Figueiredo 11:24
Domingo, Setembro 11
Simplista
Acho que eu só preciso de uma xícara de café. Ao menos por enquanto.
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postado por: Bela Figueiredo 14:14
Quarta-feira, Setembro 7
Só pra constar/contar, enfim
Disciplina não passa, necessariamente, por rotina.
Apaga o abajur que eu estou com preguiça e leoninos são peritos na arte de ronronar.
A Rita Lee tem mesmo o que dizer. A canção que antes não me tocava, agora, tem tudo a ver. Veja:
"Num apartamento perdido na cidade/
alguém está tentando acreditar/
que as coisas vão melhorar ultimamente.
(...)
Na medida do impossível tá dando pra se viver/
Na cidade de São Paulo, o amor é imprevisível/
como você e eu e o céu."
Dia nublado em São Paulo e falar sobre a previsão do tempo é coisa de taxista, por isso, enumero:
1 - Ficus estão por toda parte, do hotel mais chique à ruela periférica (resistem muito bem à poluição). Achei que fosse uma árvore da família das Figueiras, mas é um gênero da botânica (Moraceae) e isso não interessa pois não estamos numa aula de Biologia. Em vasos, trançadas ou lisas, frondosas ou pequeninas, arredondadas à tesoura ou ao natural as arvorezinhas simpáticas emprestam verde à cidade;
2 - Todos os caminhos levam à Ceagesp. Por onde quer que eu ande uma placa indica.
3 - O óbvio: "praia de paulista é shopping";
4 - Tu anda duas quadras no endereço mais quente e parece que está em Cachoeirinha (município da Região Metropolitana de Porto Alegre que tem uma aparência horrorosa e configurou-se numa cidade-dormitório pela baixa estima dos moradores).
Fiquem tranqüilos: não troquei "bah" por "então". E não esperem isso de mim.
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postado por: Bela Figueiredo 12:30
Segunda-feira, Setembro 5
"Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo"
Na minha coluna dessa quinzena me apresento obcecada por música francesa e também presto homenagem ao grande amigo e mestre Manosso, que morreu na sexta-feira.
Para ler basta clicar em Qual é a música?
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postado por: Bela Figueiredo 16:20
Domingo, Setembro 4
FF>>
O que vou dizer sobre as prateleiras coloridas do supermercado? Ou a respeito do gentil atendente da locadora? Ou ainda da camareira conversadeira? Adjetivei, ao menos.
Hoje temos [eu e minha consciência] sol e solidão, nenhum amigo on line no msn, cigarros e silêncio.
Ando quieta ultimamente. Pensando muito no meu querido amigo Manosso, que morreu sexta-feira.
Faço as mesmas coisas quase todos os dias: envio e respondo e-mails, me alimento, busco novos jobs, tomo pelo menos um banho a cada 24 horas, escovo os dentes, música e filmes, escrevo contos, enfim, atendo às minhas necessidades básicas.
Vontade de criar asas maiores, mas tudo acontece exatamente ao seu tempo, não é mesmo? Isso irrita! Quero que seja no meu tempo, esse que voa, acelera a vida em frames.
Alguém aí tem uma maquininha que me mande direto para o próximo ato?
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