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Segunda-feira, Maio 29
Utilidade pública
Naquela linha de viva o desfrute, aviso os caríssimos que tô trabalhando com o que gosto e, por conseguinte, produzindo a banda Pata de Elefante.
Tá, e aí?
Bueno, na quarta-feira, 31, a manada mais querida da querência faz um über show, no Ocidente, às 22h. O melhor: a 10 pilas.
Além do maior espetáculo da terra, os caríssimos poderão conferir, em primeira mão, o lançamento do clipe novo.
Quem não é/está de/em Porto Alegre, pode se esbaldar com as promoções da Gol a 25 reais [e eles nem nos patrocinam, mas enfim].
O que: Show da Pata de Elefante e lançamento do clipe novo
Quando: quarta-feira, 31
Onde: Ocidente (João Telles esquina com Osvaldo Aranha)
Horário: 22h
Mixaria: 10 pilas
Ah, e pra ver os tipos de perto, só lá mesmo!
Foto de Vinicius Nora
escrito por Bela Figueiredo 22:33 - Comments:
Domingo, Maio 28
Dolce far niente
Adoro quando a Natureza desmente a Previsão do Tempo e escancara seus 36 dentes solares justo onde disseram que rezaria umidade e cinza.
E quando o clichê vira um crochet de eu e você? Hum...
Fica melhor ainda se Piazzola reina absoluto em "Primavera Porteña", café e amigos, cachorros e chimarrão, blusão roto combinado a uma calça ampla, nada de sal na língua, jornais sem ler, tabaco e água com bolinhas. E se tiver barraquinhas de feira sentadas na rua; amigos em volta da mesa; casais de velhinhos de mãos dadas ou ela na cadeira de rodas e ele, cuidadosamente, alternando sol e sombra pra sua amada; adolescentes de preto e riso, bom, aí é o nirvana.
Pergunta do dia: alguém leu a lista telefônica inteira à exceção de Raymond Babbitt, no "Rain Main"?
escrito por Bela Figueiredo 19:32 - Comments:
Quinta-feira, Maio 25

escrito por Bela Figueiredo 00:31 - Comments:
Segunda-feira, Maio 22
O poema do antes só podia ser postado depois
O poema do antes foi enviado a algumas pessoas antes de estar aqui.
Levou às lagrimas um menino branco da América, que é equação simples, basicamente. Fez um semi-sorriso num outro, mais melenudo e nada virgem, até porque todo o resto são planetinhas em volta do Sol. E num terceiro, fez uma vírgula na testa.
O poema do antes foi escrito antes da cena, como um prenúncio, um vento frio enfiando-se na esquina, um alerta interno de que o botão do foda-se estava sendo pressionado.
O poema do antes foi escrito antes da meia noite, antes do vinho dos copos de ontem virar sangue em contato com a água quente e o sabão líquido hoje.
O poema do antes foi escrito antes desse cigarro, de Zeca Baleiro no repeat, antes mesmo que eu pudesse entender a natureza que esfolava, há tempos, minha pele.
O poema do antes dizia como ia ser o depois.
O poema do antes
Tudo o que vem de ti não assusta, como mete medo o lençol vazio
antes, me atrapalha
porque acabei dividindo uma vida com o marasmo
O que está em ti é forte e natural, feito aço e sal
depois, acalma...
porque acabo me distraindo com livros, música e tal
Tudo o que vem de mim é susto!, como dois olhos negros que espiam a sala
durante, se espalha
porque não derramas o peito em cima?
O que está em mim não dissimula, feito bicho-pau
no não-tempo, cultuas
porque acabas perdido na rua, que não deveria mas suja a lua
escrito por Bela Figueiredo 19:56 - Comments:
Quinta-feira, Maio 18
"O ciúme lançou sua flecha preta..."
"...E se viu ferido justo na garganta". É, como na canção, a vida às vezes é hard e a história "No Orkut dos outros é colírio" também. Explico: o conto que dá nome ao primeiro livro solo do meu amigo Caco Belmonte, editado pela Casa Verde, é publicado exclusivissimamente aqui na Falsa Baiana. A obra será lançada antes da Feira do Livro.
Pois é... meus amigos de infância se tornaram tarados, transtornados, bisbilhoteiros, mas excelentes escritores.
No Orkut dos outros é colírio
Cretina! Saquei porque tua vida no Orkut é uma boceta escancarada a bico de pato, pra todo mundo espiar de lanterna. Aquela privacidade cobrada a mim, hoje não vale nada. Pra ti sempre foram dois pesos e medidas falsas. Agora, nunca mais. Mil vezes não. De uma vez por todas, cadela, sem nenhuma possibilidade de retrocesso, teu fantasma foi exorcizado.
Em menos de dezoito meses, desde que nos separamos, foram três namorados. Grande coisa, se outro mora contigo no apartamento que alugávamos. A idéia de ciúme, ou sentimento de posse retardada, ao contrário de antes, não produz aquele efeito magnético, quase hipnótico, que me fez destruir a golpes de marreta o Fusca que ficou em teu nome e não quiseste vender pra dividir a grana. Sim, fui eu, naquele mesmo dia em que visitei o prédio da Faculdade de Direito. Escondido, de longe vi quem era, lânguida, enroscada no mauricinho de terno. Beijo de língua e aquela mão asquerosa experimentando tua bunda, na frente de todos e até do reitor, se ele estivesse ali perto naquele momento lascivo.
Pior de tudo é que te convidei pra entrar no site. Maldita hora. Não tive culpa se, depois, tuas colegas resolveram me adicionar no Orkut, por serem tuas amigas, ou talvez porque naquela época as pessoas me apontavam na rua, reconhecido como protagonista do comercial de cerveja veiculado no intervalo da novela das oito. Idiota. Não pude ver, mesmo tão próximo e nítido. Por que não enxerguei antes, afinal? Depois de tudo, retrocedendo nosso filme, analisei todas as cenas, quadro a quadro, e percebi o quanto foi ridículo meu papel. Sempre dando mole pros meus amigos, rindo à toa, tirando onda. Pensa que não vi?
Vaca! Afastei teu espectro e a vida começou a fazer sentido outra vez. Mulheres apareceram, portas foram abertas, novas amizades surgiram. Durante algum tempo, admito, continuei acompanhando teu dia-a-dia pelo Orkut. Primeiro foi o irmão da tua melhor amiga, filha do deputado federal. Depois vieram o japonês e o cara com quem estás até hoje. No intervalo entre o dois e o três, ensaiamos um retorno. Teria dado certo, filha da puta, não fosse teu instinto predador. Inacreditável o tempo recorde de tuas substituições, como se a troca do parceiro fosse uma espécie de pit stop da vagina. Jamais viveste trinta dias de fidelidade.
Com aquele namoradinho que me sucedeu, efêmero como resfriado, não deixaste transparecer muita coisa. Ele sim, coitado, apaixonou-se a ponto de escrever longos recados no Orkut, em letras grandes e coloridas, às vezes desenhando bichinhos, corações e outras figuras ridículas formatadas com a primeira letra do teu nome. Com esse cara, tenho certeza, não deves ter usado metade do nosso repertório sexual. O último sim, faz algum tempo, vem desfrutando teu corpo. Sinto náuseas ao imaginar o canalha dentro de ti, chupando teus peitinhos, botando na tua boca ou te comendo por trás, naquela posição do gozo fácil.
Tudo passa, vadia. Hoje estou aliviado de ti. Tua existência no mundo não me diz respeito. Ao contrário de antes, quando inúmeras vezes ao dia, na casa de amigos, no trabalho ou em qualquer lugar que tivesse um computador on line eu espionava tua vida e das pessoas que escreviam recados no teu Orkut. Foram meses de compulsão. Sabia tudo a teu respeito. Local e horário das festas, qual das tuas amigas tinha ficado com alguém e quem era, quais eram teus amigos recém adicionados. Isso sem falar nos recados, às vezes mais de dez ao dia, inclusive de alguns caras que eu julgava meus amigos e agora estão querendo te comer, na caradura.
Agora, para mim, tanto faz se outro homem domina teus pensamentos. Foda-se. Não vou perder tempo com ligações, torpedos no celular, e-mails ou msn. Morri na tua vida. Também não me interessa saber como vão teus progressos, nem se tua mãe reconciliou com o namorado, ou teu pai continua tomando porres no domingo à tarde, seguidos de confusão com a vizinhança até parar na delegacia para mais uma ocorrência e tua madrasta nos ligando, completamente fora da casinha porque tomou Valium depois do churrasco e acordou meio panqueca. O aparelho de som pifou, queimou o chuveiro, dvd não carrega, deu problema no gato da tevê a cabo, rompeu o cano da máquina de lavar roupa, alagou o apartamento debaixo, uma barata voadora grudou no teu cabelo, lagartixa seca no batente da janela, lâmpada queimada, teia de aranha, botijão de gás, vaso entupido, reunião de condomínio, carro na garagem e todas as outras tarefas sobre as quais não tenho responsabilidade? Nada que diz respeito a ti me interessa. Ainda assim, às vezes me pergunto: seria uma recaída espiar teu Orkut na lanhouse da esquina? Excepcionalmente hoje, pela última vez.
escrito por Bela Figueiredo 15:31 - Comments:
Terça-feira, Maio 16
Os dias
Café solúvel é acinte.
Um sorriso do Chico vale uma vida inteira porque está em nenhum e em todo lugar.
Pinhão não funciona quando a fome é grande.
Medo de dormir sozinha, coragem de colocar o bloco na avenida.
Verbena nas mãos e uns poemas entornados no vestido.
Mantra ad infinitum: "de que calada maneira/ você chega assim sorrindo/ como se fosse a primavera/ e eu morrendo".
Se o mundo fosse dos leoninos, haveria sol todo dia, bergamota o ano inteiro e te chamar de preguiçoso seria elogio.
O amor é lindo de florzinha. E precisa respirar.
O Google não acha os arquivos que quero para "sui boku ga".
Além da predileção por camisas azuis, eu e João Gilberto dividimos o gosto de andar de pijama o dia inteiro.
Pronto: a Síndrome da salsicha está mensurada.
escrito por Bela Figueiredo 09:41 - Comments:
Domingo, Maio 14
De ir e vir
No mapa estava escrito: Leste. Não vi, dormi, cansei.
Me ausentei, em paz.
Agora, uma existência inteira no lugar errado. Tá certo?
escrito por Bela Figueiredo 18:08 - Comments:
Quinta-feira, Maio 11
Quadratura
Há chuvas dentro.
Fora, sol e vento.
O medo é um quarto sem móveis.
Na cama enorme, ninguém dorme.
escrito por Bela Figueiredo 14:57 - Comments:
Segunda-feira, Maio 8
O jeito dele
Meu cavaleiro não usa anel, reza e tem medo de altura. Meu malandro de estimação quer amor e monogamia. Não faz mal que tome o primeiro uísque às dez da manhã.
Meu menino quer meninos brincando pela casa. Meu divino não tem pressa para amar e demora a voltar. Não faz mal que treine antes de me encontrar.
Meu querido tem fruta na ponta da mão. Meu herói usa camiseta e afasta o medo assoviando. Não faz mal que erre.
Meu moço tem manias, gosta mas não joga futebol. Meu amigo só joga com as damas. Não faz mal que perca.
Meu pateta não sabe do nosso amor. Meu rapaz é de aveia, natural. Não faz mal que pise na flor.
escrito por Bela Figueiredo 12:23 - Comments:
Sexta-feira, Maio 5
Tem, mas acabou
E sempre tem a espera, algo além, o outro - dependência (ou seria interdependência?).
E o sorriso que não se faz, um convite que não vem, expectativas muito além.
E ainda há o indecifrável, intangível. E a morte solitária, certa.
E sempre tem as ruas todas duras, quietas; as gentes torpes, mas há a orla e o sol, pilequinho e pouca roupa. O cabelo despenteado, a chaga do peito, respeito; o lado direito: existe par perfeito?
Tem o que treme de gozo, o que dorme absorto, a mão na mão e as mãos querendo se dar.
Tem o olho atrás da lente, um guizo intermitente, um pedido, versos quietos e o pescoço ereto.
E têm as coisas menores também: a unha lascada, o bad hair day, a caneta falhando, uma pomba cagando.
E as maiores? Também: a criança que nasce, o rio que segue a farfalhar, a velha deitada mofa, o telefone não toca, o cachorro dormindo, colesterol alto, o gemido da mesa, a febre não baixa, olhares em plongée e o vaso? Não adianta tentar: esse não muda de lugar.
"Rosa dos Corações", de Paulo Von Poser
escrito por Bela Figueiredo 13:10 - Comments:
Segunda-feira, Maio 1
Sem título
Aqui: Carta Vieja e água com gás (não entendo nada de vinhos e odeio esse assunto metrossexual), cigarrinhos, Cesária Évora miando, cães gelados nos edredonzinhos, roupas de molho no poder O2, unhas bem feitas e de cor equivocada, incenso Massala e espirros. Atente para as mangas arregaçadas: se lava louça, posto que se é humano, demasiado.
Fatal. Como somos fatais!
Nacionalizaram a exploração de gás e petróleo da Bolívia. Hermano diz: "Guerra já".
Os domingos, estranhamente, têm sido dias incríveis. E hoje é segunda, feriado, com cara de domingo. Frio e vento e sol em Porto Alegre. Então hoje é domingo porque teve passeio na Redenção e almoço na Lancheria. Isso é domingo e deu - não me confundam.
Em caixa baixa, minimal, meu herói de camisetinha:
"vez ou outra eu choro
de alegria.
é o caso."
Enquanto isso, na Sala de Justiça: Miguel prepara tortinhas.
escrito por Bela Figueiredo 19:41 - Comments:
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